Especialista afirma que sequestro de antenas é ‘extorsão sistêmica’

Uma extorsão sistêmica. É dessa forma que o professor Ignácio Cano, do Laboratório de Análise da Violência (LAV) da UERJ define os recentes casos de “sequestro” a antenas de telefonia, que têm ocorrido em Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Rio de Janeiro. Para o especialista, esse tipo de ação evidencia prática de controle territorial, constantemente imposto por organizações criminosas, principalmente grupos milicianos.

De acordo com o especialista, a ação criminosa tem como objetivo reprimir o fornecimento de serviço regulamentado, para que os bandidos passem a controlar as atividades econômicas. Para Cano, esta é uma forma de as organizações criminosas extraírem lucro sobre aquele território que dominam.

“É mais um episódio dessa tendência de, os grupos criminosos, controlarem o território e extraírem lucro sobre ele, como fazem, sobre tudo, as milícias e, em menor medida, o tráfico. A ideia é, se eles controlam o território, tudo passa por eles e, dessa forma, cobram por todas as atividades econômicas”, explicou o professor.

O professor prossegue, afirmando que esse tipo de situação causa danos tanto à sociedade, quanto para a economia, já que provoca uma disparada nos valores cobrados pelos serviços. Ignácio Cano também explica que a falta de ações, por parte do Estado, abre espaço para esse tipo de prática que não seria um problema exclusivo do Brasil.

“É uma extorsão sistêmica, que a gente tem que encarar, e uma decomposição do Estado, que é de extrema gravidade. Em outros países a gente também tem grupos criminosos, que dominam território e impõem extorsões e é um modelo extremamente perverso para a própria sociedade e para a economia. Tudo custa mais caro. Deve ser uma prioridade do poder público acabar com esse tipo de práticas”, completou.

Polícia investiga casos

Questionada, a Polícia   Civil confirmou que há investigação sobre o caso, em andamento, na  Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco). Em nota, a corporação faz questão de ressaltar que “tem atuado fortemente no combate às milícias e demais organizações criminosas que atuam no território fluminense.”

“A Secretaria de Estado de Polícia Civil (Sepol) do Rio de Janeiro, por meio da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais, das unidades especializadas e distritais, tem atuado fortemente no combate às milícias e demais organizações criminosas que atuam no território fluminense. Investigações estão em andamento para identificar e prender os autores dos crimes citados, assim como receptadores de materiais subtraídos. Operações e ações fiscalizatórias têm sido feitas com frequência para reprimir tais atos ilícitos”, diz a nota.

Recordando

Um total de 26 antenas de telefonia celular, atualmente, estão sob o domínio de bandidos, em Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Rio de Janeiro. O que, vale dizer, sequestradas, vez que os criminosos estão pedindo “pagamento de resgate” às operadoras de telefonia.

O sequestro das antenas está afetando os serviços de telefonia e internet móvel e fixa, prejudicando um total de 126 mil usuários nestes quatro municípios do RJ. Em tempos de pandemia, em que o trabalho home-office, com reuniões por videoconferência, assim como de educação remota, mediante o uso de aplicativos de uso online para interação entre professores e alunos, o prejuízo acaba sendo ainda maior.

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