Antenas sequestradas em Niterói e região: operadoras já têm mensagem padrão gravadas

“Não é possível restabelecer o sistema devido à falta de segurança”. Assim é a mensagem automática que moradores de áreas dominadas pelo crime organizado em Niterói, São Gonçalo e Itaboraí recebem, quando tentaml igar para centrais de atendimentos de operadoras de telefonia, na tentativa de obter informações sobre o serviço interrompido, devido à ação de bandidos, que passaram a “sequestrar” antenas e cobrar “pagamento de resgate” às prestadoras.

Segundo as primeiras informações, esta é uma forma usada pelos criminosos a fazer com que a população contrate serviços de comunicação clandestinos, coordenados pela própria quadrilha, a popular “gatonet”. O bando ainda estaria estorquindo as operadoras, exigindo dinheiro para que as empresas operem as antenas em áreas dominadas pelo crime organizado. Um total de 26 antenas de telefonia celular, atualmente, estão sob o domínio de bandidos nas cidades do Leste Fluminense e na capital.

As redes de telecomunicações que operam as torres informam aos seus usuários que, “devido a questões de segurança pública, o serviço está prejudicado nas regiões afetadas”. E, além de prejudicar quem mora ou trabalha na área de cobertura das antenas sequestradas, quem passa no perímetro atendido por elas também sofre, pois não há sinal.

Barricadas são aliadas dos bandidos

Uma das formas usadas pelos bandidos para impedir o acesso das empresas às torres de telefonia são as barricadas, que obstruem vias públicas, principalmente no interior de comunidades, a fim de controlar a passagem pelas regiões. Em São Gonçalo, os obstáculos nas ruas são um problema crônico. Uma das barricadas está na Rua Custódio Duarte, esquina com a Rua Padre Nicolau Luiz, esquina com Custódio Duarte, no bairro do Porto do Rosa. Cabe ressaltar que a retirada de barricadas era uma das bandeiras de campanha do então candidato, atual prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson (PL). Questionada sobre a situação, a assessoria de comunicação da prefeitura de São Gonçalo, respondeu em nota:

“O prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson, mantém firme sua promessa de campanha em atuar no sentido de reduzir a criminalidade no município, com uma série de ações que incluem, como anunciado, a retirada de barricadas das ruas, garantindo ao cidadão o direito de ir e vir. Para isso, a Secretaria de Ordem Pública está finalizando o Plano Municipal de Segurança, que prevê a ocupação de áreas hoje dominadas pelo tráfico, em uma ação permanente que envolverá todas as forças de segurança – municipal, estadual e federal – de forma planejada e segura para todos os moradores.”

A Polícia Militar ainda tenta fazer a remoção das barreiras, mesmo sabendo que, assim que os agentes saem, bandidos recolocam os obstáculos. No dia 21 de abril, policias militares do 7º BPM (São Gonçalo), que realizavam patrulhamento de rotina nas ruas do bairro de Trindade, se depararam com vias públicas que se encontravam bloqueadas por barricadas. Segundo informações da PM, as barricadas eram mantidas por traficantes da região.

Mediante a situação, uma operação foi organizada para remoção imediata do entulho, que estava bloqueando por completo a circulação nas confluências entre as ruas Cabo Frio com Barra Mansa, e Uruguaiana com Cuiabá. Em apoio à operação, foi utilizada uma retroescavadeira que é objeto de apreensão da 74ª DP (Alcântara) e um caminhão que foi apreendido pelo Inea, ambos equipamentos cedidos oficialmente ao 7º BPM.

Recordando

Um total de 26 antenas de telefonia celular, atualmente, estão sob o domínio de bandidos, em Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Rio de Janeiro. O que, vale dizer, sequestradas, vez que os criminosos estão pedindo “pagamento de resgate” às operadoras de telefonia.

O sequestro das antenas está afetando os serviços de telefonia e internet móvel e fixa, prejudicando um total de 126 mil usuários nestes quatro municípios do RJ. Em tempos de pandemia, em que o trabalho home-office, com reuniões por videoconferência, assim como de educação remota, mediante o uso de aplicativos de uso online para interação entre professores e alunos, o prejuízo acaba sendo ainda maior.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

dezesseis − dez =