Witzel prestou depoimento no processo de impeachment

Foram ouvidos na quarta-feira (7), pelo Tribunal Especial Misto (TEM), o governador afastado Wilson Witzel e o ex-secretário de estado de Saúde, Edmar Santos, no processo de impeachment de Witzel por supostos desvios na secretaria de Saúde durante o enfrentamento da pandemia. Além dos depoimentos, o comportamento dos dois também chamou atenção.

Depois de tentar suspender o processo no Supremo Tribunal Federal (STF), o que foi negado pelo ministro Alexandre de Moraes, Witzel alegou “incapacidade financeira” para continuar pagando seus advogados e pediu o adiamento de seu interrogatório. Ele argumentou ainda que não poderia recorrer a um defensor público, pois a decisão que o afastou do cargo impede seu contato com servidores do Estado. Apesar da tentativa, o pedido que foi negado pelo TEM e ele mesmo teve que fazer sua autodefesa.

Confronto de versões

Em seu depoimento, que estava previsto para hoje (8) e foi adiantado para ontem (7), Wilson Witzel alegou inocência e afirmou que havia uma organização criminosa que funcionava paralelamente à estrutura do seu governo. O governador afastado alegou novamente inocência e que disse que não participava de nenhum esquema criminoso na área da Saúde.

“Havia uma organização criminosa agindo na Saúde do estado do Rio de Janeiro, na sombra, e nos depoimentos do Edson Torres e nos depoimentos do Edmar, eu identifiquei, e hoje isso será explorado aqui, quem efetivamente é o chefe da organização criminosa. Não foi ouvido ainda um dos participantes dessa organização criminosa, que segundo depoimento do Edson Torres, essa pessoa, Zé Carlos, foi apresentado ao Edmar para que ele fizesse parte dessa distribuição de caixinha”, afirmou em voz de pranto.

Já Edmar Santos afirmou que alertou Witzel sobre os riscos de reabilitar a Organização Social (OS) Unir Saúde que, segundo ele, estava impedida de fazer negócios com o governo do Estado. Nas palavras do próprio ex-secretário, fazer isso seria um “batom na cueca”. O ato de requalificar a OS Unir é um dos principais argumentos do pedido de impeachment. “Todas as Organizações Sociais estão comprometidas. Não existe nenhuma OS que trabalhe de forma lícita”, destacou.

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