Vou de bike, cê sabe…

A crise sanitária e a busca pelo isolamento, somados ao aumento do preço da gasolina, aos constantes congestionamentos e poluição do meio ambiente, estão contribuindo para o aumento no uso das bicicletas como meio de transporte. As vendas do setor, em Niterói, estabilizaram, e chegaram ao patamar de antes da pandemia, iniciada em março de 2020. Segundo o ‘Niterói de Bicicleta’, desde 2015, o número diário de bicicletas circulando nas principais vias do município quintuplicou, e cerca de 6% dos deslocamentos da cidade são feitos de com este veículo.

Para Cláudio Santos, presidente da Associação dos Ciclistas do Estado Do Rio De Janeiro (Acerj), as vendas de bicicletas em Niterói foram positivas de maio de 2020 até julho de 2021. Já em agosto de 2021, as comercializações diminuíram, junto com o mês de setembro. “Outubro foi de muita chuva e as vendas não foram boas, mas em novembro as coisas estão melhorando. As vendas voltaram ao normal antes da pandemia”, frisou.

Além das vendas, cujos preços variam de R$ 600,00 (bicicletas para adultos), e R$ 250 (as infantis), a manutenção também está em alta. “As pessoas que tinham bikes paradas, colocaram para funcionar. O que mais temos feito são consertos de câmaras, regulagem de marcha e freio”, completou Cláudio.

A empregada doméstica Mariana Canuto, 36 anos, mora em São Francisco e trabalha em Icaraí e faz o caminho para trabalhar de bicicleta. Além de trabalhar a bike é companheira para ir ao mercado, padaria, no médico e no curso, como aconteceu na manhã de ontem. A niteroiense esteve na Avenida Ernani do Amaral Peixoto de manhã para uma aula do seu curso, de bicicleta, é claro. “Eu amo andar de bicicleta. Faço minha parte para o meio ambiente, eu faço bem para a minha saúde e ainda economizo. Eu acho que o uso da bicicleta também faz bem para todo mundo, não só para mim. Eu sou menos um carro no trânsito”, contou.

“A bicicleta é uma resposta também como um meio de vida mais saudável e que transforma os valores e um estilo de vida mais saudável. O aumento do preço dos combustíveis é inevitável pois a política de preços faz com que tenha uma equiparação dos custos de produção, de importação e do próprio dólar mais caro em relação aos preços internos. Não há possibilidade que isso venha ser reduzido ou diminuído por curto prazo”, exemplificou o economista e professor do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (IBMEC), Gilberto Braga.

Dessa opinião compartilha o enfermeiro Diego Almeida, 29 anos, que usa a bicicleta como meio de transporte para ir na academia, do Fonseca ao Ponto Cem Réis. “Eu uso a bike e já considero mais uma atividade física. Eu só não vou para o trabalho de bicicleta, pois trabalho no Rio e não tem como, pois é muito distante. Acho que é a maneira mais econômica. A gasolina está um absurdo de cara e até nisso eu tento economizar. Eu não vou de moto para a academia e sim de bicicleta”, frisou.

A Coordenadoria Niterói de Bicicleta informou que a cidade conta, atualmente, com 48 quilômetros de malha cicloviária. O ‘Sistema Cicloviário da Região Oceânica’ vai implantar 60 quilômetros e, até 2024, serão 120 quilômetros de ciclovias, ciclofaixas ou ciclorrotas. Os investimentos do Sistema Cicloviário da Região Oceânica preveem, ainda, a instalação de paraciclos e bicicletários fechados nos mesmos moldes do bicicletário Arariboia ao longo do trajeto dos ônibus da TransOceânica. Para a Zona Norte, estão previstas intervenções no Barreto.

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