Votação de impeachment de prefeito de Búzios termina em confusão

Wellington Serrano –

Terminou em discussão a sessão extraordinária da Câmara dos Vereadores de Búzios que seria destinada ao julgamento do impeachment do prefeito André Granado (PMDB), mas que foi encerrada sem a votação na manhã de ontem. A confusão teve início quando a oposição reclamou que o advogado do prefeito, Sérgio Azevedo, sem autorização de ficar no plenário, se meteu no debate sem nenhuma autorização. Segundo informações, depois de ser afrontado, o presidente da Casa, vereador João Carlos, o Cacalho, pediu a retirada do advogado do recinto, o que gerou um tumulto e a sessão foi encerrada às pressas.

A vereadora Gladys Costa (PRB) deixou a sessão furiosa. Ela contou que, as vésperas da votação, o prefeito convocou os servidores para irem à Câmara no sentido de pressionar o legislativo. “Tivemos informações que, inclusive, alguns estavam armados. Então para não acontecer coisa pior optamos pelo encerramento da sessão”, disse. O vereador Adiel da Silva (DEM) enfatizou que a população buziana espera uma resposta. “Estamos vivendo tempos de mentira e fofoca. Como pode um prefeito com quase 70% de rejeição ser reeleito? É tempo de pensarmos”, indagou.

A vereadora Joyce Santos (PP) defendeu que a denúncia precisa ser analisada imparcialmente e acusou o movimento como uma perseguição ao processo político. “Temos que contratar um escritório de fora para isso. Aí sim, vamos chegar ao veredicto de que o documento não tem embasamento”, disse.

Em nota, o presidente Cacalho disse que tudo está muito recente, mas vai analisar as imagens do circuito interno de câmeras do legislativo para tomar as providências. “Por enquanto, o que podemos dizer é que teremos um reforço da segurança para uma nova sessão extraordinária para julgar o impeachment, que, por enquanto, segue indefinido”, disse.

A TRIBUNA entrou em contato com a assessoria de imprensa da Prefeitura de Búzios, que não respondeu até o fechamento desta edição.

ENTENDA
São necessários seis votos dos nove vereadores que compõem a casa para que o prefeito seja considerado culpado pelas infrações político-administrativas. A acusação é de que a Prefeitura realizou pelo menos 25 pregões presenciais, entre 24 de maio e 11 de julho de 2013, sem fazer publicidade e atas de registro de preço. De acordo com o Ministério Público Estadual, o prejuízo causado pelas fraudes ultrapassa os R$ 30 milhões.

O prefeito chegou a ser afastado do cargo duas vezes esse ano, nos meses de junho e julho, por conta da mesma investigação, e retornou após decisão da Justiça. O primeiro episódio aconteceu por processo movido na Câmara, mas, a Justiça considerou que o Legislativo não pode conceder afastamento temporário, apenas definitivo, ou seja, era preciso concluir se André Granado é culpado para retirá-lo da prefeitura.

O segundo afastamento aconteceu após ação apresentada pelo Grupo de Atuação Especializada no Combate a Corrupção, do Ministério Público, mas André novamente retornou à Prefeitura ao conseguir uma liminar da Justiça.

Ainda de acordo com a denúncia, as empresas vencedoras do processo irregular em 2013 foram novamente beneficiadas posteriormente com prorrogações dos contratos emergenciais e com novas licitações e aditivos. O Gaeco afirma que algumas prestam serviços ao município até hoje. No período em que o prefeito esteve afastado, o vice, Carlos Henrique Gomes (PP), que também é investigado por suspeita de desvio de dinheiro público, assumiu o cargo. O crime teria acontecido enquanto ele era secretário de obras entre os anos de 2008 e 2012.

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