Voluntários em Niterói ‘redescobrem’ ponte de pedra datada da escravidão

Um grupo de voluntários do Parque Municipal de Niterói (Parnit) iniciou um trabalho de retirada de resíduos das ruínas da Trilha Colonial, parte do Circuito Temiminó, inaugurado em 2019. A ‘escavação’ está sendo feita em uma ponte de pedra possivelmente datada na época da escravidão. A ideia é restaurar todo o acesso e homenagear, através de uma placa, essas pessoas que fizeram a ponte que remonta ao século XIX.

O aposentado Ezequiel Gongora, 72 anos, explicou que essa ponte ainda não se sabe da história e, pela disposição da arquitetura, foi feita por mãos de escravizados. A passagem foi assoreada por muita terra em alguns lugares com até 50 centímetros que escondem a ponte. “Vamos fazer saídas de água para evitar novos desmoronamentos de terra. Nosso propósito restaurar essa ponte. Na fase inicial começamos ‘descobrir’ o leito dela. É um manejo pesado pois uma grossa camada de terra cobre toda sua extensão. Quando retirarmos todo esse material, temos certeza, que ela aparecerá em toda sua beleza arquitetônica que remonta ao século passado. Nosso propósito é restaurar sua história e prestar uma homenagem aos escravizados”, contou.

O administrador do Parnit, Alex Figueiredo, explicou que toda trilha tem seus destaques e isso também acontece com essa. “A ponte é um local de passagem e estamos fazendo essa limpeza. Peneiramos alguns resíduos e não achamos nada. Mas essa é uma valorização do uso público da unidade de conservação. Existe uma chance enorme que essa ponte seja realmente datada do período da escravidão pelo estilo arquitetônico, feito de pedra de mão colado com óleo de baleia. Temos ruínas anteriores, antes da ponte de pedra tem uma ruína com estilo do Brasil Colônia, no século XVI”, explicou.

TRILHA COLONIAL

De acordo com publicação da Prefeitura de Niterói a Trilha Colonial aparece no livro “Conversas sobre o Saco de São Francisco” existe uma menção de que o caminho da atual estrada Nossa Senhora de Lourdes (antiga Estrada da Viração) era um “peabiru”, isto é, um caminho que os indígenas usavam desde épocas pré cabralinas a caminho da nossa atual Região Oceânica. No início do século XX, este caminho caiu em desuso, tendo sido usado como trilha para lazer nos anos 80 e 90.

AÇÃO VOLUNTÁRIA

A ação voluntária no Parnit é um projeto antigo do parque em que voluntários são convocados três vezes por semana para realizarem manejo de trilha, manutenção, reflorestamento e reprodução de flores, por exemplo. São separadas mudas para plantio como bromélias, maracujá nativo, palmito juçara, ora-pro-nóbis e pau-brasil, entre outras. Essas pessoas são diretamente responsáveis pela organização e conservação do parque. Atualmente são 200 cadastrados mas as ações estão restritas por conta da pandemia do coronavírus.

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