Voluntários em Niterói opinam sobre o experimento

Raquel Morais

Em meio ao desespero da pandemia em agosto centenas de profissionais da saúde puderam participar do experimento da vacina Coronavac. Eles receberam a imunização que foi parte da fase 3 do ensaio clínico; em uma parceria da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Instituto Butantan e a Prefeitura de Niterói.

Segundo a Fiocruz o ensaio clínico de fase 3, coordenado em todo o Brasil pelo Instituto Butantan, de São Paulo, avalia a eficácia e a segurança da vacina contra o novo coronavírus. A participação foi restrita a profissionais de saúde, que atuem diretamente no cuidado de pacientes infectados pela Covid-19 e cumpram os seguintes critérios: ter mais de 18 anos; não ter sido contaminado pelo novo coronavírus previamente; não participar de outros experimentos; não estar grávida ou ter intenção de engravidar nos próximos meses; não apresentar doenças crônicas não-controladas; e ter registro ativo no conselho profissional de seu ofício.

A enfermeira Juliana Thomaz, 24 anos, trabalha no Hospital Municipal Carlos Tortelly, no Centro de Niterói, e fez parte do experimento em outubro. Ela tomou a primeira dose da vacina no dia 6 e 14 dias depois tomou a segunda dose. Mas apesar da expectativa ela acredita ter recebido o placebo, pois ela foi diagnosticada com a Covid-19.

“Eu me senti mal e perdi o olfato e o paladar. Foram os únicos sintomas que eu tive e não precisei tomar remédio, Só fiz repouso em casa. Então para mim a vacina não adiantou e eu com certeza vou querer me imunizar no ano que vem quando tiver a vacinação em massa. Eu tenho a esperança que vai dar certo dessa vez. Também fico feliz de ter participado do experimento já que de alguma forma eu ajudei para a pesquisa”, contou a moradora do Barreto.

Já a colega de profissão Jamille Mohamed, 38 anos, teve mais sorte e o experimento foi sucesso na visão dela.

“O resultado será divulgado, quem recebeu vacina e placebo, para os participantes e estou aguardando a convocação. É necessário que o participante no estudo tenha consciência que precisa tomar todos os cuidados, pois somente no final do estudo é possível saber a substância utilizada. Recomendo para toda a população. Sendo profissional da saúde e atuando na linha de frente do coronavírus, estou vivenciando momentos difíceis dentro do hospital para tentar salvar vidas. Não é fácil lidar com a perda e dor. Acredito na ciência e contribuo para busca na cura contra a Covid19”, frisou.

Jamille também reforçou que se sentiu privilegiada em participar do estudo.

“Desde o dia que aceitei ser voluntária tive uma equipe multidisciplinar comprometida, me acompanhando em todas as fases do cronograma vacinal. A perspectiva é que com a vacina ocorra avanços nos estudos, eficácia e eficiência, e que em breve tenhamos um quantitativo de indivíduos vacinados, diminuindo o número de infectados e de óbitos”, completou.

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