Volta as aulas

Expectativa e realidade se esbarraram ontem em Niterói e São Gonçalo. Enquanto calouros exibiam as pinturas corporais dos trotes que aconteceram na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, universitários da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), campus São Gonçalo, retornaram às aulas e tiveram que conviver com, praticamente, todos os problemas pré-existentes desde 7 de março, data que teve início a greve dos professores.

Em Niterói, a reclassificação dos aprovados pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), através do Sistema de Seleção Unificado (Sisu), gerou toda a emoção nos calouros. A estudante de produção cultural Fátima Catarino, de 18 anos, amou participar de toda a festa de boas-vindas dos veteranos que, segundo ela, trataram os novos alunos com muito respeito. “Quis participar de todos os processos e me senti muito à vontade para brincar. Faz parte do início da graduação em uma faculdade pública”, comentou. Já a nova colega de curso, Vitoria Perez, de também 18 anos, disse que vai guardar a roupa pintada como recordação.

Já em São Gonçalo os veteranos identificaram os mesmos problemas pontuais na universidade, enquanto a nova geração chegava com todo o gás e otimismo para estudar no turno da noite. O professor de inglês Lael Lacerda, 28 anos, é aluno do sexto período de Letras e confirmou que o quadro de horários dos professores estava completo. Já a colega de curso do segundo período, Juliana Simões, 28 anos, já percebeu que o banheiro, apesar de limpo, continua sem papel higiênico, sabonete e papel toalha, por exemplo.
O estudante do terceiro período Jonathan Teles, 19 anos, disse que a faculdade estava limpa mas a ausência de um restaurante universitário é um ponto muito negativo. “Sentimos falta de um bandejão e seria uma surpresa muito grande chegar para aula e ter essa novidade”, idealizou.

A Uerj ficou 170 dias de greve e as aulas estavam marcadas para iniciarem dia 23, mas um atraso no processo licitatório para empresa de manutenção e limpeza, adiou a data para ontem. O reitor Ruy Garcia Marques apontou que Governo do Estado pagou o repasse emergencial de R$ 13 milhões no final de julho. O valor seria para a quitação parcial de dívidas com fornecedores. Ainda segundo o professor, há uma expectativa de repasse de mais R$ 10 milhões para custeio, o que deverá se repetir nos próximos meses, segundo nota. “Nós, professores, ficamos felizes. Porém, é impossível falar em alívio e olhar com otimismo a situação da Uerj. A instituição, como um todo, continua precária, a exemplo do Estado, que não garante sequer a execução dos valores necessários para o pleno funcionamento das atividades. Estamos em uma situação em que, dar aula, não depende mais de nós, professores. É muito provável que daqui alguns poucos meses se repita o cenário de professores terceirizados e de outros funcionários, sem receber”, comentou a presidente da Associação de Docentes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Asduerj), Lia Rocha.

NOVIDADES NA UFF
A reitoria da UFF divulgou um plano de ações de apoio aos estudantes que conta, por exemplo, com o lançamento da Rota 3 do Busuff, passando pelos seguintes pontos: Valonguinho, Terminal e Barcas. Essa nova rota será implantada no segundo semestre letivo. Será criado, no campus do Gragoatá, o Núcleo de Apoio ao Universitário (Nau) onde estudantes vão poder discutir assuntos sobre a universidade e também funcionará a nova central de carteirinhas. Os ‘bandejões’ vão ganhar novas roletas e novos equipamentos, como fornos, que vão melhorar o cardápio.

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