Volante e drogas, combinação perigosa

Raquel Morais –

Um levantamento realizado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Passageiros de Niterói e Arraial do Cabo (Sintronac) mostrou que após os exames toxicológicos realizados pelo Detran em 2016, 20% dos rodoviários de nossa região apresentaram reprovação na renovação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Consumo de cocaína e de maconha foram as drogas campeões nas aferições. Dentro dos próximos dias a entidade vai preparar um ofício para o Ministério Público pedindo interferência do órgão na questão, que deveria ser tratada como saúde pública.

O presidente do sindicato, Rubem Oliveira, explicou que 20 em cada 100 motoristas procuraram o sindicato para pedir ajuda após serem flagrados no exame. Ele disse que esses resultados acabam no afastamento do motorista, que tem sua CNH detida por 90 dias, além da demissão. “Estão marginalizando essa categoria e isso não deveria acontecer, já que se trata de uma questão de saúde pública. Essa é uma luta do nosso sindicato e vamos fazer um ofício ao Ministério Público para tentar resolver isso. Esperamos que eles nos atendam”, explicou.

O médico neurologista do Sintronac, Rubens Pereira, confirmou essa afirmação. “Temos que ter uma abordagem adulta e serena em relação a isso. Na última análise viu-se essa porcentagem de detecção das drogas, mas não se fala em percentual de uso em outras profissões, de motoristas e motociclistas, por exemplo. Penso que estão demonizando muito a categoria de uma forma bastante injusta e essa visão é infantilizada, pois não consegue coibir o início do uso da droga. Temos que ir muito mais a fundo nessa questão”, pontuou.

Além da questão do organismo, o Sintronac também vai salientar a importância de expandir o teste toxicológico para todas as categorias. Hoje em dia ele é exigido apenas para os motoristas das categorias C, D e E (transporte de carga, transporte de passageiros e combinação de veículos com mais de uma unidade tracionada, respectivamente). “Motoristas de carros e motociclistas (categorias B e A) não são obrigados a passar por esse crivo e isso é injusto, pois discrimina o trabalhador. Esses trabalhadores deveriam ficar assegurados pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), e isso não acontece, ele é demitido. Temos que ter ambulatórios para atender esses trabalhadores para eles não virarem um problema social”, explicou o advogado Paulo Gustavo, que ressaltou o Art. 5º da Constituição Federal de 1988: todos são iguais perante a Lei.

O instrutor do curso de resolução 168, previsto no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), Ruan dos Santos, lida diretamente com os motoristas em questão, que acabam se afastando no trabalho e muitas vezes entrando para a marginalização. “Na admissão, quem for pego no exame toxicológico, não é aproveitado pelas empresas. Mas a renovação do exame é anual e, se for constado, a pessoa é afastada do cargo. Temos que trabalhar essa pessoa e não exclui-la do mercado de trabalho”, comentou.

Nesta quinta-feira (13), na sede do sindicato, no Centro de Niterói, uma palestra foi feita para os representantes de 16 empresas de ônibus, instrutores, motoristas, cobradores, entre outras pessoas. O uso de entorpecentes foi um dos temas. A cabo Ludmilla Benício, do 12º Batalhão de Polícia Militar (12º BPM), discursou sobre o assunto, através do Programa Educacional de Resistência às Drogas (PROERD). “Devemos encarar esses problemas com a prevenção. As drogas mais utilizadas no Brasil são o álcool, maconha, cocaína e o crack. Isso afeta os motoristas e toda a sociedade”, sintetizou.

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