Vizinhos se unem com ações solidárias em Pendotiba

Anderson Carvalho –

Cansados de sofrerem com os constantes assaltos e invasões de residência, um grupo de moradores da localidade de Jardim América, entre os bairros de Matapaca e Vila Progresso, na região de Pendotiba, resolveu se unir contra a violência e pela promoção da paz. O que a princípio seria apenas uma união de forças para se defenderem dos criminosos, foi além e transformou-se em uma grande rede de solidariedade, que está abrangendo toda a comunidade e quer chegar a todo o município. Desenvolveram o projeto Vizinhança Solidária, que embora inspirado em programas similares desenvolvidos em outros municípios brasileiros, o de Niterói tem uma ‘pegada’ mais social.

Tudo começou em maio do ano passado, quando Robson Sheeny, de 47 anos, professor de Administração de Empresas da UFF e Mestre em Gestão Internacional de Negócios pela Fundação Getúlio Vargas, resolveu não ficar mais de braços cruzados em relação à violência no bairro. Com um grupo de vizinhos idealizou e implantou o Vizinhança Solidária. “Diante da insegurança que assola o estado, me indignei ao perceber ataques diários em minha vizinhança, porém percebi que o mal só avançava enquanto as pessoas de bem permaneciam paradas e diante dessa indignação reuni junto com alguns vizinhos no espaço Madd (Música – Arte – Dança – Design), em Pendotiba, onde passamos a nos reunir periodicamente e promover eventos”, contou Robson.

“A intenção inicial seria criarmos um ‘Conselho de Segurança de Pendotiba’, para juntos com a vizinhança ouvirmos boas práticas pela paz de especialistas, pois percebemos que alguns vizinhos se trancavam em suas casas e não se comunicavam uns com os outros quando algum vizinho sofria um ataque, sem uma solidariedade, sendo que outros se colocavam numa posição de clientes e não de construtores da paz”, acrescentou o professor.

Na ocasião, o grupo fez parceria com a ONG Viver Bem, que possui centenas de câmeras monitorando o município dentro do 12º BPM (Niterói). Chamaram ainda o comandante do batalhão, coronel Márcio Rocha; o capitão Douglas Maurício, comandante da 4ª Cia Destacada da PM do Badu e Wilmar Peixoto, presidente da Escola Nacional de Segurança, para falarem sobre boas práticas de segurança e paz.

A partir daí, os moradores resolveram, cada um, usar seus talentos para ajudar uns aos outros, ao bairro e até comunidades carentes do município. Aline Mello, 45, auxiliar administrativa, busca entre os vizinhos doações de roupas, alimentos e outras coisas para quem precisa e os que vivem em comunidades carentes. “A gente tem que ter empatia. Organizei grupos de whatsapp para organizar as doações. Já fizemos até no Beltrão e Santa Rosa, por exemplo”, contou.

Lúcia Helena de Araújo, de 72, é pedagoga e coordena o projeto ‘Moda Solidária’ no programa. “Uma oportunidade das pessoas conhecerem mais sobre moda, receberem orientações e indicações de emprego e realizarem negócios. Também organizamos um bazar e fazemos doações de roupas para instituições filantrópicas. Nos comunicamos em um grupo de whatsapp”, explicou a pedagoga.

Luíz Gabriel Tiago, 40, é um empresário social, dono da marca Pontinho de Luz. Conhecido também como Sr. Gentileza, seu trabalho chegou a países como Etiópia, França, Estados Unidos e outros, sendo por isso indicado ao Prêmio Nobel da Paz, cujo resultado sai em outubro deste ano. “Eu montei uma rede de solidariedade e capacito pessoas para ajudarem as outras. Assim, assistimos muitas famílias carentes em diversos lugares. Esse trabalho eu desenvolvo no Vizinhança Solidária”, informou Luiz Gabriel, também morador do bairro desde que nasceu.

Érika Blaudt, 40 anos, jornalista e especialista em Gestão, criou o projeto ‘Mães Empreendedoras’ em Niterói e também participa do programa desde o início. “Incentivo mães a empreenderem o seu negócio. Promovemos aqui diversos eventos. Nós já engajamos 600 mães”, contou.

O Vizinhança Solidária promoveu duas reuniões no ano passado, sendo a primeira em maio e a segunda, em julho. A primeira deste ano ocorreu em 1º de fevereiro. A intenção é que as reuniões sejam mensais. Nos dias 3 e 4 de março haverá reunião do projeto Pontinho de Luz e em 17 do mesmo mês, do ‘Mães Empreendedoras’.

O programa Vizinhança Solidária, segundo Robson, reduziu a violência em 95% desde que foi implantado. Já existe em municípios como Itapeva, Santo André (ambos em São Paulo), onde os moradores se comunicam com os policiais através de aplicativos de celular e usando apito para informar ocorrências.

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