Vitimas do Boa Esperança terão de pagar por novas moradias

Raquel Morais –

Mais um desdobramento no caso do deslizamento do Morro da Boa Esperança, em Piratininga, preocupa as vítimas dessa tragédia. Eles terão que pagar pelos apartamentos em Pendotiba que seriam doados. A notícia não foi bem recebida pelo grupo, que se reuniu na última segunda-feira na Prefeitura de Niterói. Agora, eles pretendem fazer uma manifestação nos próximos dias para chamar atenção ao caso. O valor cobrado a cada família deve variar entre R$ 80 e R$ 280 mensais, dependendo da renda familiar, por 10 anos, além de taxas condominiais. O empreendimento do Badu está sendo construído na Rua Guilhermina Bastos, 710, tem difícil acesso e na manhã de ontem nenhum operário foi encontrado trabalhando.

Regina Bienenstein, professora da escola de arquitetura da UFF, esteve na reunião do Conselho Municipal de Políticas Urbanas (Compur) e explicou que a solução do problema dos desabrigados tem que ser negociada com interesse neles.

“A prefeitura mudou o empreendimento prometido, que seria no Fonseca, para um no Badu, mas eles não querem. Essas vítimas querem ficar, pelo menos, na região deles. Identificamos um terreno no Boa Esperança e fizemos um estudo de viabilidade e apresentamos como alternativa e nada foi resolvido”, contou.

Foi justamente o que a dona de casa Renata Caetano, 24 anos, que perdeu dois filhos no deslizamento do maciço, chamou atenção.

“Não basta o que toda a comunidade passou e ainda temos que lidar com o descumprimento das promessas. Queríamos continuar no bairro e seria muito bom que a prefeitura fizesse as moradias no terreno da comunidade. Mas se isso não acontecer aceitamos o do Badu. Agora fiquei sabendo que vou ter que pagar por isso. Isso é um desrespeito. Eu perdi meus dois filhos nesse acidente e só queria tentar retomar a minha vida. É uma humilhação o que estamos passando. Eu não vou pagar e nós vamos para a rua contar nossa história para os niteroienses”, desabafou a mulher, que está morando no Cantagalo.

Regina explicou que a justificativa que foi apresentada pela cobrança é que essas vítimas, que são 67 famílias, não estão em situação de calamidade pública.

“Vamos continuar ajudando essas pessoas e vamos colocar em pauta esse assunto para chamar atenção sobre esse caso”, completou a também coordenadora do núcleo de estudo de políticas habitacionais e urbanas da UFF, que vai fazer outra reunião no próximo dia 26, às 18h, na Rua Almirante Tefé, 637, no Centro de Niterói.

O secretário municipal de Habitação e Regularização Fundiária, Roberto Fernandes Jales, o Beto da Pipa, explicou que nos próximos dias levará a questão para discussão na administração municipal.

“Ou a prefeitura terá que subsidiar esses imóveis e pagar a Caixa ou terá que construir as unidades habitacionais com recursos próprios. Estamos aguardando o que poderemos fazer, mas todas as famílias estão recebendo o aluguel social de R$ 1.002”, resumiu. A Prefeitura de Niterói também foi questionada sobre o assunto mas até o fechamento dessa edição não se manifestou.

MORRO DA BOA ESPERANÇA
No dia 10 de novembro de 2018 o deslizamento de uma rocha matou 15 pessoas e deixou 22 famílias desalojadas após o desmoronamento no Morro da Boa Esperança, em Piratininga na Região Oceânica. A Prefeitura de Niterói se comprometeu a pagar, por um ano, o aluguel social de R$ 1.002,00, mediante a desocupação dos imóveis interditados.

2 thoughts on “Vitimas do Boa Esperança terão de pagar por novas moradias

  • 21 de fevereiro de 2019 em 10:39
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    Em relação a matéria do pagamento das moradias para a Comunidade boa Esperança vai meu comentário.

    Pois é,além do pagamento pelo imóvel,terão que pagar condomínio,taxa de água,luz e outros.Como podem ver a coisa não é tão fácil assim para o trabalhador que ganha até dois a três salario minimo e que consegue o financiamento de um imóvel pela Caixa Econômica Federal Minha Casa Minha vida,onde muitos acabam transferindo o imóvel ou perdendo por inadimplência. O Governo não faz filantropia com os apartamentos da Minha Casa Minha Vida. Como resolve este impasse ?.

    Tião Cidadão.
    Controle social.

    Niterói/21/02/2019,10:11 min.

    Resposta
  • 21 de fevereiro de 2019 em 10:40
    Permalink

    Pois é,além do pagamento pelo imóvel,terão que pagar condomínio,taxa de água,luz e outros.Como podem ver a coisa não é tão fácil assim para o trabalhador que ganha até dois a três salario minimo e que consegue o financiamento de um imóvel pela Caixa Econômica Federal Minha Casa Minha vida,onde muitos acabam transferindo o imóvel ou perdendo por inadimplência. O Governo não faz filantropia com os apartamentos da Minha Casa Minha Vida. Como resolve este impasse ?.

    Tião Cidadão.
    Controle social.

    Niterói/21/02/2019,10:11 min.

    Resposta

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