Vítimas detalham como estelionatários dão golpe em servidores

Reportagem publicada na edição de quarta-feira (12) de A TRIBUNA revelou que golpistas desviaram pelo menos R$ 100 milhões de servidores públicos, de cidades como Niterói e São Gonçalo. Vítimas da quadrilha, que por questões de segurança não tiveram as identidades divulgadas, narram como funciona o modus operandi dos bandidos, que oferecem falsos lucros em investimentos, induzindo os profissionais a contraírem empréstimos.

Em um dos casos, as “vantagens” foram oferecidas a um servidor, que também é filho de um general da reserva. O golpista se aproveitou de uma amizade antiga para oferecer suposta rentabilidade sobre o empréstimo. Além disso, o criminoso ofereceu recompensa em dinheiro por contatos de outros servidores e usou o nome de uma conhecida instituição financeira para tentar dar maior credibilidade ao golpe. Ostentação nas redes sociais também faz parte da construção da imagem.

“Outro dia recebi uma mensagem pelo Instagram de um antigo conhecido, nas fotos dele sempre havia muita ostentação e ele tinha uma origem bem humilde. Nessa mensagem ele pediu o meu WhatsApp. Nas conversas ele me prometeu uma rentabilidade de 7,5% ao mês sobre toda a minha margem consignável para um contrato de 12 meses ou 10% para um contrato de 24 meses. Também me ofereceu R$500 por contato de novos servidores, mesmo que eles não fechassem nada. A justificativa era a compra de contratos da Crefisa e outras financeiras com taxas absurdas. O cara me incomodou durante um bom tempo, até que eu o bloqueei, mas o perfil do figura continua no Instagram, parecendo levar uma vida de filme”, relatou.

Não contente, o golpista ainda tentou fazer com que o pai da vítima entrasse no golpe. Para aumentar ainda mais a credibilidade, o estelionatário mostrou supostos contratos com agentes de segurança pública. “Mostrou supostos contratos com agentes da Polícia Federal e agora o foco seriam os policiais rodoviários. O cara ainda é peitudo, tentar dar golpe em policial. O cara foi tão louco, sabendo que meu pai é um oficial general e idoso, também tentou com ele”, completou.

Segundo as testemunhas, a quadrilha age há aproximadamente um ano. Em outro caso, a filha de uma pensionista, que recebe pela Marinha do Brasil, afirma que, embora sua mãe tenha sido vítima do golpe, elas conseguiram recuperar o dinheiro em seguida. A mulher descreve a estrutura que uma das empresas de fachada possui, com direito a um andar inteiro de um prédio comercial, no Rio, contando com atendentes de telemarketing.

“Minha mãe caiu neste golpe há um ano. Conseguimos recuperar o dinheiro, pois eles estavam no início da empreitada, naquela época. Fui à sede da empresa e a estrutura era gigante. Um andar enorme, diversos funcionários uns 10 de tele atendimento, etc. Os caras tinham acesso a todos os contracheques de militares da Marinha do Brasil. Profissionais no estelionato”, disse.

Posicionamento dos citados

Procuradas, as assessorias de imprensa da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) afirmam que as corporações não receberam, até o momento, quaisquer informações sobre o golpe. A reportagem aguarda posicionamento tanto da Marinha do Brasil quanto da financeira Crefisa. Assim que enviarem, este texto será atualizado. Cabe ressaltar que a atuação da quadrilha é investigada pela equipe da 79ª DP (Jurujuba), coordenada pela delegada Raíssa Celles.

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