Vital Brazil testa em humanos soro para combater veneno de abelhas

Raquel Morais

No mês que vem pesquisadores do Instituto Vital Brazil (IVB) vão apresentar um relatório para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre o desenvolvimento do soro antiapílico, para bloquear os efeitos do veneno de abelhas. O projeto é pioneiro em todo mundo e quando aprovado, para 2019, atenderá todo o país através dos polos de atendimento para acidentes com animais peçonhentos, vinculado ao Sistema Único de Saúde (SUS).

O medicamento foi desenvolvido pelo IVB em parceria com o Centro de Estudos e Venenos de Animais Peçonhentos da Universidade Estadual Paulista de Botucatu (Cevap/Unesp), e é inédito em todo o mundo. Há mais de 10 anos o soro é estudado, mas em um ano o produto começou a ser testado em humanos com múltiplas picadas de abelhas. O assessor da Diretoria Científica do IVB, Luís Eduardo Cunha, explicou que uma picada de abelha pode provocar uma reação alérgica e múltiplas, mais de 200, provoca intoxicação por veneno de abelha.

O soro antiapílico já foi testado em 10 pessoas, que melhoraram após a dose. “Essas pessoas não serviram de cobaia. Elas realmente foram picadas acidentalmente por abelhas e toparam participar da pesquisa com a aplicação do medicamento. “Não houve nenhum caso de reação adversa, o que para nós é uma grande notícia. O soro é para curar as pessoas e tem muito estudo envolvido nessa questão. Ficamos muito felizes em estarmos tão perto dessa conquista”, explicou o especialista.
Para receber o registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é preciso o teste em mais 10 pacientes, totalizando
20 amostras. Por isso o prazo para liberação deve ser em 2019. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES) para participar do teste, é preciso ter entre 18 e 60 anos, não estar grávida e ter sofrido mais de cinco picadas de abelha. O tratamento consiste na utilização de duas a 10 ampolas do soro.

Ainda segundo informe, de acordo com dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação, em 2000 foram registrados 1.440 acidentes e três mortes causados por envenenamento por abelhas no país; 15 anos depois foram notificados quase 12 mil acidentes e 42 óbitos, número 14 vezes superior ao de 2000. Já por veneno de cobra são registrados 30 mil casos por ano com cerca de 30 a 40 óbitos.

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