Visitantes ilustres ‘furam’ a quarentena e dão o ar da graça

Raquel Morais

Durante o período do isolamento social para evitar o avanço da contaminação do coronavírus, está cada vez mais comum o registro de animais na cidade e até mesmo dentro dos quintais e áreas privadas. O aparecimento desses bichinhos está muito além de tartarugas e passam pelas mais diferentes espécies como cobras, gaviões e até mesmo um cavalo marinho. Especialistas acreditam que esses aparecimentos vão ficar cada vez mais comuns, não só em Niterói, mas também em várias outras cidades.

O veterinário André Carlos de Souza, de 47 anos, foi surpreendido por um animalzinho que encantou quem passava pela Praia do Barreto, nas margens da BR-101, na Zona Norte.

“Eu vi um pescador com uma garrafa com um cavalo marinho dentro. Eu fiquei encantado e esse animal é muito difícil de ser encontrado. Fiquei muito feliz e conversei com o pescador para ele devolvê-lo para o mar. Acredito que a qualidade da água está relacionada ao aparecimento do peixe inusitado”, frisou.

O administrador do Parque Natural Municipal de Niterói (Parnit), mais conhecido como Parque da Cidade, Alex Figueiredo, conta que está registrando um aumento muito grande de aves de rapina, cobras e até mesmo cachorro do mato, que é o símbolo do parque. Na semana passada o veterinário e biólogo, Gabriel Munay Kindlovit, que é especialista em animais silvestres, esteve no Parnit para fazer a soltura de um gavião.

“Ele foi resgatado com a asa quebrada no quintal de uma casa em Piratininga. Cuidei dele e fiz a soltura depois que ele ficou recuperado. É muito lindo”, frisou.

Já o biólogo Mario Moscatelli, mestre em ecologia pela Universidade Federal Do Rio De Janeiro (UFRJ), é especialista em gestão e recuperação de ecossistemas costeiros e também comentou essa situação na cidade.

“O aparecimento desses animais deve ser analisado com cuidado e depende dos agentes que degradam o ambiente. Não parou o lançamento de esgoto e de lixo, por exemplo. Os animais continuam afetados por essas situações. A presença humana é o elemento que interfere na presença dos animais e temos mudanças nesse sentido. Não existe um espaço vazio na natureza, os animais se adaptam. Para a natureza isso é ótimo, mas tem data para terminar. Tudo deve voltardo jeito que era antes e ainda pior, infelizmente, por uma demanda reprimida e com ‘sede’ de voltar a normalidade”, ponderou.

E enquanto os mais diferentes animais continuam dando o ar da graça, as tartarugas e garças permanecem encantando os niteroienses.

“Fiz o registro de tartarugas no mar de Jurujuba que estava com água cristalina. As garças também pareciam estar posando para as fotos. Esses animais estão se aproximando muito das praias justamente pelo motor dos barcos estarem desligados. É um presente para os olhos assistir esse espetáculo da natureza. Nesse período que estamos em casa olhar o mar revigora a alma”, finalizou o advogado Carlos Arthur Teixeira, de 56 anos.

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