Violência faz venda de carros despencarem em até 60% na região

Wellington Serrano –

O crescimento nos últimos anos dos índices de roubos de veículos preocupa não só os motoristas niteroienses e gonçalenses, mas também os vendedores de agências de veículos em Niterói e São Gonçalo, que reclamam de queda em até 60% nas vendas. Eles afirmam que o aumento insistente no número de veículos roubados desde o início do ano no estado, o desemprego e a crise econômica, estão entre as principais causas do prejuízo.

Entre os meses de janeiro a agosto deste ano, de acordo com últimos dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), a incidência dessa modalidade criminosa cresceu 51,6% na cidade em relação ao mesmo período do ano passado, segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP).

A equipe de reportagem de A TRIBUNA esteve em uma das principais ruas de venda de automóveis de Niterói, na Doutor Celestino , no Centro, e conferiu a realidade nas lojas. O vendedor Hugo Pinheiro Caetano, da Marechal Veículos, confirma que a violência levou as seguradoras a recusar clientes ou aumentar consideravelmente o valor do contrato, a ponto de o proprietário do automóvel desistir de fechar negócio.

“Tem lugar em São Gonçalo que eles não asseguram de jeito nenhum. É lamentável um cliente que mora perto do Salgueiro, por exemplo, não possa comprar um carro novo por medo de perdê-lo porque não encontra um seguro que cubra no seu bairro”, disse o vendedor.

Ele fez um cálculo desse prejuízo na própria loja e disse que essa situação acaba doendo no bolso com as vendas afetadas e em queda de 60%. “As notícias sobre o desemprego, a violência e a falta do pagamento dos servidores do Estado estão todos os dias nos jornais, isso acaba afetando, afinal são servidores que ganhavam entre R$ 5 a 6 mil e que eram nossos clientes em potenciais”, lamentou.

O vendedor concorda com o que diz o diretor-executivo da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), Júlio Cesar Rosa, quando fala da falta de cobertura em determinados bairros do Rio de janeiro o que segundo ele, acontece também na Região.

“Não é só São Gonçalo. O setor deixou de trabalhar nos bairros Cavalcanti, Manguinhos, Sampaio, Pavuna e Rocha Miranda do Rio por motivo de roubos, essa negativa para novos contratos se estende a algumas localidades de São Gonçalo que ficam próximas a favelas”, contou.

Hugo afirma que para não perder clientes não trabalha mais com nenhuma seguradora e torce para que o cliente tenha um corretor fiel na hora de fechar o negócio. “Procuramos nem mais indicar os serviços de terceiros na questão da segurança, justamente devido à violência porque às vezes a empresa não dá o suporte necessário e acabamos com certos problemas com o cliente o que afeta indiretamente nossas vendas”, realçou.

Os 4.613 veículos roubados em agosto no estado (1.572 a mais que no mesmo mês do ano passado) ligaram o sinal de alerta no mercado de seguros. A FenSeg afirma que, se os números permanecerem em alta, o reajuste dos contratos corre o risco de chegar a 22% até dezembro, o que afetaria de maneira significativa a atuação das companhias do setor no Rio de Janeiro.

“Enquanto a estatística de roubo não cai, a negativa na hora de aceitar o cliente pode haver um aumento considerável no valor do seguro, algo que não seria bom para ninguém. Pois se o cliente ver que a compra do carro sai fora de suas expectativas, devido ao alto valor, ele não vai comprar”, criticou o vendedor.

LEVANTAMENTO – Um levantamento da FenSeg aponta que, em 50% dos casos de roubos de veículos no Rio, os crimes são praticados para retirada de peças e venda no mercado ilegal. Em 30% das ocorrências, o objetivo é a clonagem de automóveis, e, em 20%, ladrões tomam um carro para cometer outros delitos.

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