Violência contra a imprensa em debate

De acordo com relatório da Federação Nacional dos Jornalistas, referente ao ano 2021, 61 mulheres jornalistas foram vítimas de algum tipo de violência no Brasil. Para trazer esse tema à tona, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro (SJPERJ) irá realizar nesta quarta-feira (30), às 18h, o debate “Trabalho Decente e sem Violência para as Jornalistas”.

O debate terá apresentação do jornalista Mário Sousa, presidente do sindicato, com coordenação da jornalista Dulce Tupy, vice-presidente da entidade; haverá também as presenças das debatedoras e diretoras sindicais, a jornalista Fernanda Viseu, Jane Portela, Bianca Marques e Claudia Barcellos; e as jornalistas convidadas Regina Pimenta e Fátima Lacerda.

“É preciso ter muita humildade, muita força de vontade. Algumas mulheres ainda ganham menos que os homens. A gente tem que lutar por igualdade financeira e de respeito. A discussão é importante primeiro porque somos mulheres. Temos que estar unidas. A gente coloca essa discussão justamente para apresentar que a gente tem valor e podemos chegar junto, somos mulheres, temos potencial e somos guerreiras”, afirmou Claudia, em entrevista ao jornal A TRIBUNA.

Claudia Barcellos será uma das debatedoras – Foto: Reprodução/Redes sociais

Claudia também recordou de uma situação de assédio moral que viveu, durante sua carreira. Ela afirma que, na época, ficou com medo de expor a situação pela qual passou, mas que hoje encoraja mulheres vítimas de abusos no exercício da profissão a denunciarem para que os responsáveis sejam devidamente punidos. Ela também deixa um recado a suas colegas de profissão para que elas nunca se deixem ser menosprezadas pelo seu gênero.

“Quando trabalhava em um canal de TV, era a única mulher que apresentava um programa. Por isso, a pessoa que dirigia mudava todos os dias o meu horário. A mulher se encontra de uma forma solitária quando ela faz um trabalho e outro não reconhece e tenta destruir de alguma forma. A violência vem através dos abusos e assédios”, completou.

Incentivo à violência

Apresentador do debate desta noite e presidente do sindicato, Mario Sousa aponta que o estudo associa as violações à liberdade de imprensa à ascensão de Jair Bolsonaro (PL) à Presidência da República. A FENAJ aponta que o presidente usou contra os jornalistas adjetivos como “canalha”, “quadrúpede”, “picaretas” e “idiota”, além de mandar uma profissional calar a boca.

Estudo apontou que Bolsonaro incentivou violência a jornalistas – Foto: Arquivo/Agência Brasil

“Essa pesquisa mostrou o grau de violência, mostrando, por exemplo, que o maior tipo de agressão é feita pelo próprio presidente, seja por falas grosseiras, palavrões. O assédio às jornalistas mulheres, tanto no exercício da profissão na redação ou assessoria de imprensa, é muito mais flagrante, e também há na rua, no exercício da profissão”, explicou Mario.

O encontro será online, por meio da plataforma Google Meet. De acordo com Mario, o link para o debate será encaminhado, horas antes do evento, aos associados do sindicato. “Queremos levantar essa questão em busca de uma consciência maior desse debate profissional, principalmente o respeito ao jornalista”, completou Mario.

Mario aponta que violência acontece tanto no ambiente de trabalho quanto nas ruas – Foto: Arquivo/A Tribuna

Atuação

O sindicato frisou que atua em prol de jornalistas que eventualmente sofram quaisquer tipos de violência. De acordo com o presidente, basta procurar a entidade e encaminhar a denúncia por meio de seus canais oficiais. O sindicato irá avaliar medidas a serem tomadas, como por exemplo ações judiciais e registro de boletim de ocorrência na Polícia Civil.

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