Vereadores serão investigados por suposto crime eleitoral com ajuda do tráfico

Wellington Serrano –

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) remeteu para a Procuradoria-Geral Eleitoral, do Ministério Público Federal (MPF), e a Polícia Federal informações de um suposto crime eleitoral que teria sido cometido pelos vereadores Paulo Bagueira (SD), presidente da Câmara de Vereadores de Niterói, e Renato Cordeiro Júnior, o Renatinho da Oficina (PTB). Segundo o MP, interceptações telefônicas para investigar o tráfico no Morro do Cavalão, em Icaraí, que resultaram numa operação ontem, apontariam para a compra de votos dos políticos nas eleições de 2016, na qual foram eleitos.

Segundo investigadores, Bagueira foi citado em ligações negociando a compra de votos no Cavalão com Monique Pereira de Almeida, mulher de Reinaldo Medeiros Ignácio, o Kadá, chefe do tráfico local, que está preso fora do estado, mas há 30 anos lidera o tráfico no local. As investigações apontam que o político teria pago para formar um curral eleitoral na comunidade. As interceptações ocorreram uma semana antes das eleições, em outubro de 2016.

“Nas conversas, há informações de que haveria uma suposta compra de votos em dias anteriores à eleição de 2016. Não temos atribuição para apurar esses casos e já enviamos para a Polícia Federal e para a Procuradoria Regional Eleitoral”, disse a promotora Roberta Dias Laplace.
Ainda segundo a promotora, Renatinho da Oficina é citado também pela primeira-dama do tráfico em uma ligação, na qual ela afirma que ele quer comprar votos de moradores das comunidades Cocada e Mato Grosso, em Niterói, onde o tráfico do Cavalão exerce influência. As favelas ficam no Sapê, região apontada como reduto eleitoral do vereador.

O presidente da Câmara através da assessoria disse que sempre atuou junto aos moradores do Morro do Cavalão, mas negou qualquer envolvimento com o tráfico local ou compra de votos. “O vereador Paulo Bagueira nega as acusações, rechaça qualquer envolvimento do seu nome com esse tipo de ação e que não teve acesso às investigações. Afirma que tão logo tenha, irá apresentar a sua defesa”, disse em nota.

Já Renatinho da Oficina alegou não ter relação com as denúncias e que vai provar sua inocência na Justiça. “Aumentaram muita coisa. Sempre atuei junto aos moradores do Morro do Cavalão. A única coisa que tem é uma pessoa falando meu nome e que não fala de outra coisa. Sou um homem trabalhador. Meu gabinete está sempre aberto”, declarou.

Em nota, o MP esclarece que os vereadores Paulo Bagueira e Renatinho da Oficina não foram objeto da investigação que resultou na operação para prender traficantes, em Niterói, ontem. “Os referidos vereadores foram mencionados por um investigado em interceptações telefônicas. O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) solicitou o encaminhamento dos áudios à Polícia Federal para apuração de suposto crime eleitoral ocorrido nas

eleições de 2016. O material também será enviado ao Centro de Apoio Operacional às Promotorias Eleitorais do MPRJ para remessa à promotoria eleitoral com atribuição para a investigação do fato”, disse no texto.

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