Vereadores de SG questionam aprovação das contas de Mulim

Anderson Carvalho

A aprovação das contas do ex-prefeito de São Gonçalo Neilton Mulim referentes ao ano de 2015 pela Câmara Municipal, em sessão plenária do último dia 25, dividiu a Casa. O parecer da Comissão de Orçamento do Legislativo, favorável, foi aprovado por 14 votos contra 12 dos parlamentares presentes. Na ocasião, o vereador Maciel (PMN) discutiu com o subsecretário de Governo, Leandro Cortes, e afirmou que ele estava pedindo aos colegas para votarem pela aprovação. Quem votou contra afirma que a base governista não poderia votar a favor, pois o ex-prefeito deixou rombo de R$ 600 milhões.

O presidente da Câmara, vereador Diney Marins (PSB), justificou, através de assessoria, que a maioria dos colegas votou baseada no parecer do Tribunal de Contas do Estado, que aprovou no início do mês as contas de Mulim, embora com 23 ressalvas e determinações. Além disso, somente em 2016 é que a crise econômica intensificou-se, afetando a arrecadação do município.

Procurada, a prefeitura negou ter orientado a bancada governista a aprovar as contas de Mulim e acusou Maciel de tentar agredir Côrtes, durante a votação do último dia 25. “Irritado com a presença do representante do Executivo, que estava na Câmara em reunião com vereadores da base do governo, aos berros, Maciel tentou diminuir Côrtes e partiu para a agressão. O fato só não foi consumado devido à intervenção de diversas pessoas que estavam no plenário acompanhando a votação sobre as contas do ex-prefeito. O subsecretário de Governo recebeu auxílio, inclusive de alguns vereadores, e deixou a Câmara antes do término da votação”, disse um trecho da nota da prefeitura.

Ainda na nota, o prefeito José Luiz Nanci defendeu um equilíbrio entre o Legislativo e o Executivo. “Partir para a agressão vai contra os princípios básicos de uma sociedade evoluída. O diálogo é sempre o melhor caminho”, concluiu.

Procurado, Maciel negou a tentativa de agressão. “Tivemos apenas uma discussão. Eu conversei com alguns colegas e ponderei que teríamos que ter tempo hábil para analisar as contas e não tivemos. O ex-prefeito deixou um rombo de R$ 600 milhões. Não daria para aprovar. Fiz pedido de vistas e a Casa fez um recesso de 15 minutos. Vi o subsecretário conversando com alguns vereadores em uma sala ao lado do plenário e pedindo para aprovarem as contas. Fiquei irritado com essa interferência do governo no Legislativo. Após o recesso, a votação do meu pedido estava empatada em treze a treze e o presidente deu voto de Minerva, contra. Depois, aprovaram as contas. Achei estranho que alguns que votaram pelo pedido também votarem a favor do parecer do TCE”, disse Maciel, que fará um ato de repúdio na Casa nos próximos dias.

Alexandre Gomes (PSB), governista, também votou contra as contas. “Fiz oposição ao governo de Neilton e agi com coerência. Não poderia aprovar o parecer de um tribunal que já não tem credibilidade nenhuma e devido ao rombo encontrado nos cofres públicos. O Maciel não quis agredir o Leandro”, relatou Gomes.

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