Vereadora Verônica Lima regista ocorrência contra Paulo Eduardo Gomes por crime de homofobia

Parlamentar do PT acusa colega do Psol de afirmar que “vai trata-la como homem”

Apesar de PT e Psol serem considerados partidos de esquerda, um integrante de cada legenda bateu boca no início da noite desta quarta-feira (7) na Câmara Municipal de Niterói. Isso porque a vereadora Verônica Lima (PT) registrou ocorrência contra Paulo Eduardo Gomes por crime de homofobia. O registro foi feito na 76ª DP, no Centro.

Segundo a vereadora petista, Gomes a “constrangeu” ao afirmar que “se ela quisesse ser homem”, então ele a trataria como tal. Ela fez um longo desabafo no Instagram e também alegou que “o desrespeito direcionado a mim pelo parlamentar não começou agora e está se intensificando cada vez mais”.

“Os ataques e a perseguição de Paulo Eduardo Gomes contra mim são constantes nesta Casa Legislativa. O ocorrido hoje é mais um episódio escancarado de violência política contra mulheres e LGBTQIA+. Quando Paulo Eduardo questionou se ‘eu queria ser homem’ e disse que ia ‘me tratar como homem’, quis me constranger pela minha orientação sexual. Não quero ser homem! Sou uma parlamentar com diversas produções legislativas que dispõem sobre a violência contra as mulheres e o combate às opressões”, informou Verônica em um trecho da publicação.

De acordo com apuração feita por A Tribuna, o bate-boca começou ao final da reunião do colégio de líderes, pouco antes da sessão plenária ter início. Segundo fontes ouvidas pela reportagem, o bate-boca foi intenso, e Verônica saiu chorando e trêmula, transtornada com o episódio.

Esta não é a primeira vez que ambos discutem de forma áspera. Em sessão realizada no início de junho, quando a Câmara debatia a proposta urbanística para requalificação urbana dos imóveis no Centro de Niterói, ambos tinham opiniões divergentes e discutiram durante a plenária. Verônica chegou a dizer “que estava de saco cheio de ser humilhada por Gomes”.

Em nota o vereador Paulo Eduardo Gomes reconheceu o erro e disse que vai refletir junto com o partido sobre o fato. “Reconheci que não poderia ter agido desta forma com uma vereadora mulher. Pedi desculpas na hora e em plenário. Entretanto, apesar de elevar o tom, jamais fiz menção de agredir a vereadora fisicamente — sequer consideraria essa hipótese. Este relato não corresponde à verdade. Em meio a uma acirrada discussão sobre projetos de lei, acabei perdendo a razão. Há mais de 40 anos me dedico à defesa dos direitos humanos e ao combate a todas as opressões. Peço novamente desculpas sinceras à Vereadora por ter perdido a cabeça e me exaltado de forma totalmente descabida. Vou me reunir com a Direção do Psol Niterói e meu partido irá me ajudar a refletir coletivamente sobre este fato e sobre a melhor forma de avançar nesta necessária autocrítica. Quem conhece minha luta e minha trajetória, sabe que entendo que o machismo é inadmissível e deve ser combatido cotidianamente. Entendo que os homens precisam ser antimachistas e me comprometo coletivamente a não cometer mais este tipo de erro.”

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