Vereadora denuncia compra de equipamentos hospitalares para serviços terceirizados

Um dos mais badalados balneários turísticos do país, cenário de exuberantes belezas naturais, o município de Búzios, na Região dos Lagos, ganhou fama internacional e glamour graças à atriz francesa Brigitte Bardot que, na década de 60, circulou pelas ruas da península em companhia do namorado marroquino-brasileiro Bob Zagury. Cinquenta anos depois da passagem da estrela, Búzios conquista um título nada glamouroso. A cidade é exemplo de desperdício de dinheiro público na Saúde. Equipamentos de ponta e maquinários comprados com verba de emendas parlamentares para equipar o Hospital Municipal Dr. Rodolpho Perisse e a Policlínica Dr. Carlos Ernesto Stevenson estão armazenados, precariamente, num depósito improvisado pela prefeitura dentro do Hospital Municipal. O depósito guarda um aparelho de Raio-X, que custou R$ 125 mil, e o maquinário de uma lavanderia hospitalar comprado por R$ 200 mil. No entanto, o município terceiriza exames de Raio-X e o serviço de lavanderia da Saúde.

O depósito armazena ainda dezenas de computadores, aparelhos de ar-condicionado, impressoras, Smart TVs, incubadoras, balanças para recém-nascidos e equipamentos como focos cirúrgicos de solo móvel, que custaram ao erário R$ 24 mil; aparelhos cardioversor, comprados por R$ 64 mil, e até uma perfuradora ortopédica de R$ 40 mil. Um Sistema de Videoendoscopia, pelo qual o Fundo Municipal de Saúde de Búzios pagou R$ 220.400 e um aparelho de Ultrassom digital, no valor de R$ 200 mil, foram vendidos à Prefeitura pela mesma empresa, sediada em Nilópolis, na Baixada Fluminense.

O depósito improvisado foi descoberto pela vereadora Gladys Nunes (PRB) durante vistoria no Hospital Dr. Rodolpho Perisse. Ela preside a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga denúncias de irregularidades na Secretaria de Saúde e apura a responsabilidade pela queima de remédios numa área de proteção ambiental no bairro Baía Formosa, em julho do ano passado.

O maquinário da lavanderia, que nunca foi montada, impressiona. A centrífuga hospitalar tem capacidade para 30 quilos de roupa e custou aos cofres públicos R$ 20 mil. A secadora, com capacidade para 50 quilos de roupa custou R$ 27,5 mil. A calandra de alta produção, prensa e ferro, custaram aos cofres públicos pouco mais de R$ 46 mil. A lavadora extratora de roupas hospitalar, com barreira anticontaminação e capacidade para 50kg de roupa teve custo de cerca de R$ 95 mil.

“Como vereadora e como mãe não posso me calar diante da incompetência e do descaso com que a saúde de Búzios está sendo tratada por esse governo que brinca com a saúde e não respeita a vida do nosso povo. Por isso queima remédios, às escondidas, em área de preservação ambiental e deixa maquinários e equipamentos de ponta, que deveriam estar beneficiando a população, mas estão apodrecendo num depósito improvisado. Uma prática reprovável para qualquer homem público, repugnante para um médico”, desabafou Gladys, que classificou o depósito do Hospital Rodolpho Perrisé como um dos maiores exemplos de desperdício e de descaso com o dinheiro público.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

três + um =