Vereador de SG recorda que já denunciou carne sem selo

Wellington Serrano –

Há dois anos, bem antes de estourar o escândalo das carnes maquiadas no país, o vereador José Carlos Vicente (PSL) já denunciava a fraude em São Gonçalo. Ontem ele utilizou a tribuna da Câmara de Vereadores para recordar uma denúncia que fez, ainda em 2015, através de uma diligência nos açougues e supermercados da cidade para verificar a existência de carne sem selo do Serviço de Inspeção Federal (SIF), órgão do Ministério da Agricultura, e com prazo de validade vencido.

“Trabalhei como açougueiro uma boa parte da minha vida, entendo de carne e já queria mostrar naquela época para as autoridades que a população tem o direito de ver o que compra”, recorda o parlamentar, que é o líder do governo na Câmara.

Segundo ele, várias reclamações contra os grandes supermercados em São Gonçalo, que vendem carne embalada, sempre foram a tônica em seu gabinete. “Isso mostra que até hoje uma das armadilhas que os supermercados praticam é cobrar mais barato a peça inteira de carne embalada. E é aí que acontece o prejuízo do consumidor, que quando chega em casa percebe o aspecto feio da carne por dentro. Isso não acontece nos modestos açougues de bairros, que mesmo sufocados pelas grandes redes, não enganam os consumidores”, lamenta.

PROJETO
O parlamentar quer o Procon, o Instituto de Pesos e Medidas (Ipem) e a Vigilância Sanitária do município fiscalizando as embalagens de carne nos grandes supermercados. Por isso, foi autor do projeto que suspende as embalagens nas carnes. “Justifico meu projeto afirmando que o consumidor tem o direito de ver o que está comprando e pagando caro, já que a carne é um produto com preço absurdo nos supermercados”, ressalta ele.

No projeto, também fica claro que a carne embalada que vier de fora deverá constar data de validade e o carimbo do SIF. “Outro aspecto do projeto que não visa prejudicar ninguém é deixar à vontade do consumidor, caso queira abrir a embalagem. Se o consumidor preferir levá-la fechada, tudo bem”, conclui José Carlos Vicente.

O ESCÂNDALO
A Operação Carne Fraca tem como objetivo combater o crime deflagrado pela Polícia Federal e veio a público no último dia 17. Ela foi o estopim para o escândalo, que apontou que as maiores empresas do ramo (JBS, dona das marcas Seara, Swift, Friboi e Vigor, e a BRF, dona da Sadia e Perdigão) são acusadas de adulterar a carne que vendiam no mercado interno e externo.

No total, o escândalo da carne adulterada envolve mais de 30 empresas alimentícias do país, acusadas de comercializar carne estragada, mudar a data de vencimento, maquiar o aspecto e usar produtos químicos supostamente cancerígenos, além de apontar agentes do governo acusados de receber propina para liberar a comercialização dessas carnes.

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