Vera Fischer fala da carreira e peça que estreia em Niterói

O tempo passou e inúmeros trabalhos realizados vinham acompanhados por elogios dos meios de comunicação que rendeu destaques, como o Prêmio Air France e no Festival de Brasília, no papel da prostituta Anna, no filme Amor Estranho Amor, em 1982.

Na noite de hoje (05), a atriz sobe no palco do Theatro Municipal de Niterói para deixar de ser Vera e ser Dulce Carmona, uma septuagenária que recebe a notícia de que seu único filho, Lauro, interpretado por Mouhamed Harfouch, vai se casar com uma mulher que ela não conhece vivido pela atriz Larissa Maciel.

A partir daí, a comédia mostra ao público a luta de uma mãe obcecada para dar ao filho um futuro digno de sua classe social e tenta perpetuar a imagem da família, que ela considera sagrada, após guerra aberta com a noiva do filho. A atriz conversou com A TRIBUNA por telefone e nos deu uma entrevista exclusiva.

A TRIBUNA – Você estreou na novela Espelho Mágico, da Rede Globo, em 1977. Como foi o começo de carreira?

Vera Fischer – Meu início de carreira acontece muito antes daquele 14 de junho de 77. Ele acontece lá em Blumenau, enquanto eu olhava o mundo à minha volta e decidia que eu precisava fazer com que ele fosse maior. Espelho Mágico foi um ótimo trabalho feito junto com Bibi Vogel, Djenane Machado, Glória Menezes, Heloísa Millet, Lídia Brondi, Maria Lúcia Dahl, Pepita Rodrigues, Rejane Marques, Solange França, Sônia Braga, Sylvia Kristel, Yara Amaral, Yara Cortes, Yoná Magalhães, Tarcíso Meira (meu par eterno!), Antônio Pitanga Carlos Eduardo Dolabella, Jorge Botelho, Juca de Oliveira, Lima Duarte, Mauro Mendonça, Milton Moraes, Nelson Caruso, Sérgio Brito e Tony Ramos. Sim, eu citei as mulheres primeiro porque nosso caminho é sempre mais árduo, e não é só no começo de carreira não, viu? Então não vou te responder somente como foi o começo de carreira, vou te contar como é minha carreira: é linda, é difícil, é motivo de orgulho, é sucesso e é esforço ainda aos 70. Mulheres precisam estudar mais, se dedicar mais, serem melhores sempre pra serem aceitas. Meu início de carreira acontece quando eu decido entrar para aquele concurso para ganhar o concurso e o mundo.

A TRIBUNA – A primeira peça em que participou, Os Desinibidos, de Roberto Athayde e direção de Aderbal Freire Filho foi em 1983. De lá para cá, 39 anos se passaram. O que você acha que melhorou no teatro e o que ainda pode melhorar?

Vera Fischer – O teatro sempre foi feito na unha, né? É preciso coragem, determinação e paixão, pois o palco é maravilhoso, mas entre um e outro tem a estrada. Nesses quase 40 anos, essa estrada teve caminhos muito diferentes, vivi muitas alegrias e muitos apertos também. O que pode melhorar não… o que precisa melhorar é a memória. O teatro é a história de um povo, precisa de incentivo, de fomento, precisa ser valorizado!

A TRIBUNA – Na televisão, você realizou inúmeros papéis em novelas, minisséries e programas, também sendo reconhecida pela indicação de melhor atriz em Mandala, O Clone e Laços de Família. No cinema, destacou-se ao viver a prostituta Anna, personagem que lhe garantiu como melhor atriz no Prêmio Air France e no Festival de Brasília. Existe algum papel que você gostaria de interpretar?

Vera Fischer – Existe sim! O próximo!

A TRIBUNA – São 55 anos de carreira, com vários sucessos no teatro, cinema e TV. O que move, profissionalmente falando, Vera Fischer continuar a trabalhando?

Vera Fischer – Eu sou uma artista, nunca parei e não vou parar. Eu preciso da arte, ela me mantém viva!

A TRIBUNA – Trazer a peça que você estrela para ser apresentada aqui no Theatro Municipal de Niterói foi sugestão sua ou do autor teatral e escritor niteroiense Eduardo Bakr?

Vera Fischer – A peça está viajando pelo Brasil todo e é sucesso absoluto de público. As escolhas das cidades e teatros são feitas pelo Eduardo Bakr e Tadeu Aguiar e com certeza há uma série de critérios. Conhecendo bem os dois, acredito que o afeto e a trajetória sejam alguns deles. Gosto disso.

A TRIBUNA – Quais são as expectativas do elenco da peça que estreia aqui em Niterói? É a primeira vez que se apresenta na cidade?

Vera Fischer – São as melhores! Já tivemos que abrir uma sessão extra no próximo dia 7, porque já estão quase esgotadas as outras.

A TRIBUNA – Depois de 4 anos, a atriz Vera Fischer retorna à cena, com texto inédito de Eduardo Bakr e direção do premiado Tadeu Aguiar. O que o público de Niterói pode esperar de Quando eu for mãe quero amar desse jeito?

Vera Fischer – Uma comédia forte e ácida com um texto bem escrito e que diverte o público, mas também faz pensar.

A TRIBUNA – Aqui em Niterói há um esvaziamento percebido nos cinemas pelo alto custo do ingresso. Você acha, apesar de ser um público sedimentado, justo os preços que os teatros cobram? O que pensa a respeito?

Vera Fischer – Eu penso que não me cabe dizer o que é o justo quando o assunto é o preço. É muito difícil falar sobre justiça em um tempo onde a desigualdade assola o nosso país. Não serei eu a dizer se cobram o que vale. Eu me sinto confortável em dizer que espero viver em um país onde cada um deveria poder comer, estudar, ler, ir ao cinema, ao teatro e ter acesso a toda forma de conhecimento que a cultura pode proporcionar.

A TRIBUNA – Qual o balanço que você faz da carreira nessas cinco décadas e meia atuando?

Vera Fischer – Sabe qual a parte do balanço que mais gosto (Risos)? Aquela em que estou vindo! E eu estou vindo com minha Galeria de Arte Virtual com a Coleção Mulher² (Mulher ao Quadrado), com uma coleção linda de roupas e o que já posso contar é que é de uma grife que tradicionalmente produz roupas baseadas em peças de arte, com uma série que será diferente de tudo que já fiz, com um projeto de uma nova dimensão para o teatro… o meu balanço sempre foi ir pra tomar impulso e voltar com força!

A TRIBUNA – Quais os conselhos que você dá para quem quer ser atriz?

Vera Fischer – Não desista!

SERVIÇO

Espetáculo: Quando Eu For Mãe Quero Amar Desse Jeito

Datas: de 5 a 7 de agosto de 2022

Horário: Sexta, às 20h; Sábado e domingo, às 19h

Classificação indicativa: 12 anos

Duração: 80 minutos

Ingresso: R$ 120 (Inteira) / R$ 60 (Meia)

Local: Theatro Municipal de Niterói

Endereço: Rua XV de Novembro, 35, Centro, Niterói. Telefone: 3628-6908

Texto: Marcos Vinicius Cabral

Fotos: @callanga/Agência Amarelo Urca