Vendas de imóveis novos tem queda em Niterói

Wellington Serrano –

Vender e comprar imóvel em todo lugar está cada vez mais difícil, imagina em Niterói que possui um dos metros quadrados mais caros do Brasil e teve a maior queda nos preços de imóveis residenciais a venda no país em 2017. Segundo o Índice FipeZap, na cidade, o recuo foi de 3,43%, enquanto no Rio foi de 4,45%. Imobiliárias e corretores amargam uma de suas piores crises com dezenas de imóveis nunca utilizados, disponíveis para venda. Isso tem forçado uma diminuição drástica nos valores dos apartamentos, principalmente.

Apesar do tombo no preço, Niterói se mantém no topo do ranking como a cidade com o metro quadrado mais caro do país, valendo R$ 7.225. Corretoras de imóveis da cidade reconhecem os números e afirmam que a situação está bastante crítica. Algumas empresas afirmam que há três meses não vendem um imóvel sequer.

“Falta às construtoras quererem investir mais em novos imóveis. Por isso a crise nos atingiu. Hoje em dia o cliente não tira rendimentos em aluguel de um imóvel que ele comprou até na planta, todos estão com o pé atrás e reclamam com os bancos da falta de negociação dos valores e dos prazos apertados. Antigamente ainda havia uma negociação, hoje em dia se não pagar o banco toma”, disse o corretor José Senna, da Ingá Imóveis.

Em 2017, 13 das 20 cidades pesquisadas viram o preço dos imóveis residenciais à venda cair. No Brasil, o preço médio dos imóveis residenciais à venda teve retração de 0,53% no ano passado, a primeira vez que o indicador teve queda nominal em um ano completo desde quando a série começou a ser apurada, dez anos atrás. Se descontada a inflação — considerando a estimativa do Boletim Focus, do Banco Central, de 2,78% para 2017 — a queda real no preço dos imóveis foi de 3,23%. O valor médio do metro quadrado fechou em R$ 7.631.

Como a inflação caiu, essa queda real nos valores do país ficou abaixo da registrada em 2016, quando o IPCA, medido pelo IBGE, foi de 6,29%. Com isso, em 2016, apesar de o índice FipeZap ter avançado 0,57%, os preços tiveram recuo real de 5,38%.

Atrás do Rio, São Paulo ostenta o segundo lugar no ranking de metro quadrado mais caro do país, com R$ 8.745. Em seguida, vem Distrito Federal, com R$ 8.238, e Niterói, com R$ 7.225. Os bairros cariocas mais valorizados foram Leblon, onde o preço para venda chega a R$ 20.757/m² — mais que o dobro do valor médio no mercado carioca — e Ipanema, a R$ 19.378. Na outra ponta, os menores valores estão em Cavalcanti (R$ 2.286) e na Pavuna (R$ 2.292).
Os valores mais baixos no Brasil são os registrados na mineira Contagem (R$ 3.521) e Goiânia (R$ 4.137). Na direção inversa, das sete cidades que viram o preço do metro quadrado subir em 2017, apenas duas registraram variação acima da inflação: Belo Horizonte (4,8%) e Florianópolis (4,3%).

Outros corretores afirmam que nunca viram crise semelhante a essa. Para José Luiz Pillar o medo do desemprego tem afastado novos compradores. “Facilito o modo de compra para atrair novos clientes, mas está difícil. A crise atingiu a todos em todos os setores. O cliente está inseguro, não sabe que rumo seguir. O problema maior é essa gangorra do desemprego. Eu trabalho com isso há quase 40 anos e passei por várias crises financeiras, mas nunca vi algo semelhante”, disse.

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