Venda de medicamentos cresce 10% em todo país

Raquel Morais –

A venda de medicamentos em todo o país apresentou alta de 10,24% e os genéricos registraram aumento de 8,25%. Os dados foram divulgados pela Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) e foram calculados entre janeiro e maio de 2017, em comparação com o mesmo período de 2016. Já o Instituto Febrafar de Pesquisa e Educação Continuada (Ifepec) registrou que 31% dos brasileiros mesclam os dois tipos de remédios. Comerciantes de Niterói percebem mudança de comportamento dos clientes, que estão em busca de economia na hora das compras.

A Abrafarma informou que a comercialização dos medicamentos gerou uma movimentação de R$ 11.573.289.580 bilhões e os genéricos R$ 1.998.941.180. Já a pesquisa da Ifepec apontou maior venda dos genéricos, já que 37% das pessoas optam por esse tipo de remédio, contra 32% que ainda escolhem os de marca. “Os genéricos já venceram uma desconfiança inicial e natural que enfrentaram no mercado e hoje já fazem parte das opções de escolhas dos consumidores, eles possuem um grande potencial competitivo por causa da economia que ele proporciona, sendo que os preços são fundamentais na escolha”, analisou Edison Tamascia, presidente da Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias (Febrafar).

A farmacêutica Nathália Queiroz trabalha numa drogaria no Centro de Niterói e percebe a mudança no perfil do cliente, quando compara 2015 e 2017. “Tem muita desconfiança em cima dos medicamentos genéricos e isso também é provocado pelo próprio médico. Às vezes pego receitas de clientes que têm um carimbo informando para ele não comprar o medicamento genérico. É o mesmo princípio ativo, mesmos testes de laboratório e mesmo rigor na produção. Apesar de perceber uma melhora nessa procura, a aceitação ainda é difícil”.

Alfradique José Ivo trabalha há 48 anos como balconista de farmácia e percebe o maior interesse pelos remédios mais baratos. Os mais vendidos são os anti-inflamatórios, antibióticos e remédios para hipertensão arterial, como por exemplo, a nimesulida, amoxicilina e o captopril. Já os medicamentos genéricos mais são comprados são: dipirona, a própria amoxicilina e o atenolol, que custam R$ 4,99, R$ 22 e R$ 5,99, respectivamente. Pelas marcas, os mesmos remédios custam R$ 10,90, R$ 63 e R$ 36; a diferença quando comparado com o genérico é de 118,4%, 186,3% e 501%, respectivamente.

“Trabalho quase cinquenta anos atrás do balcão atendendo em farmácia e percebo muita diferença na procura pelos medicamentos. A população está mais doente, a venda de remédios é sempre grande e o que mais acontece é a automedicação. As pessoas procuram remédios para dores de cabeça, azia e gripe. Também percebo que em todos esses anos a procura pelo farmacêutico é pequena e muita gente ainda não sabe que toda farmácia é obrigatória a presença desse especialista para ajudar a população”, comentou Alfradique.

Segundo a pesquisa do Ifepec, dos entrevistados que foram às farmácias 72% adquiriram os medicamentos, contudo, apenas 24% compraram exatamente o que foram comprar, 31% modificou parte da compra e 45% trocaram os medicamentos por vontade própria ou por indicação dos farmacêuticos. “Esse fato demonstra a existência de uma característica muito comum nos brasileiros que é não ser fiel ao produto que foi procurar em uma farmácia, ouvindo a indicação dos farmacêuticos. O principal fator de troca é o preço, demonstrando que o brasileiro se encontra mais preocupado com o bolso”, explicou Edison.

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