Vegetarianos e veganos contam como é a criação dos filhos

Cuidado com o meio ambiente, respeito aos animais, preocupação com o futuro do planeta. Muito se fala sobre esses assuntos quando as palavras vegetarianismo e veganismo são faladas. Na verdade essas são justificativas que os adeptos destas filosofias mostram para explicar o estilo de vida que extingue o consumo de animais, seus derivados, de forma definitiva ou parcial. E quando essas famílias têm crianças? O pequeno Enzo de 10 anos prova que é possível sim mudar a forma de consumo no dia a dia.

A instrumentadora cirúrgica Patrícia Dias, 31 anos, viu o estilo da sua família mudar quando seu filho tinha apenas 3 anos. O pequeno Enzo, hoje com 10 anos, influenciou toda a família a parar de comer carne e hoje eles estão muito perto do veganismo.

“Ele tinha três anos e estudava em uma escola que tinha uma pegada ecológica forte. Na escola tinha um galinheiro e o Enzo adorava as galinhas. Um certo dia tiraram as galinhas de lá e ele ficou muito triste. Na mesma semana fomos em uma padaria e compramos um frango assado. O Enzo associou a comida ao animal. Ele questionou se eram as galinhas do colégio e desde então ele não conseguiu mais comer. Isso aconteceu com todos os animais”, lembra a moradora do Fonseca.

A partir daí o menino começou a questionar os alimentos e ao longo dos anos a família mudou os hábitos alimentares.

“Estamos em processo para virarmos veganos. A gente ainda come ovo orgânico e de pequenos produtores. Hoje somos vegetarianos por causa dele. A família toda mudou isso inclui avós, tios, tias e o pai dele”, contou Patrícia.

E quando questionado sobre o que ele acha disso tudo o pequeno Enzo é só orgulho.

“Eu me sinto feliz em ser vegetariano e feliz em não estar comendo os animais e ajudando eles. Foi bem difícil mudar a minha família para ser vegetariano e alguns veganos, mas foi aos pouquinhos. Futuramente eu pretendo virar vegano”, resumiu.

A tia do Enzo, a engenheira de produção Luciana Davel, de 33 anos, conseguiu adotar o estilo de vida vegano em 2016, também por influência do sobrinho.

“Eu parei de comer animais no final de 2014. A minha motivação foi o amor pelos animais mesmo, mas depois a gente vai conhecendo e vendo como funciona a indústria da carne e vê que gera vários impactos em diversas áreas. No começo de 2016 eu já não comia mais nada de origem animal pois fui tirando aos poucos”, resumiu.

A cantora Giovana Adoracion, 27 anos, já levava uma alimentação vegetariana há mais de 8 anos e fez um rico acompanhamento durante e após a gestação do primeiro filho, Noah, que leva uma alimentação vegana e tem 1 ano e 4 meses.

“Na amamentação eu fui cortando os derivados da minha alimentação e terminei a transição para a alimentação vegana. Até os seis meses ele ficou no aleitamento materno exclusivo e quando comecei a fazer as preparações para a introdução alimentar eu mesma me motivei a terminar a transição”, contou.

Giovana também contou que o processo participativo também deixa tudo muito mais divertido para seu filho.

“Ele está sempre na cozinha quando estou fazendo as preparações e já brinca de fazer as suas comidinhas. Noto que isso faz com que ele tenha uma relação muito positiva com a alimentação dele e ainda sinta-se convidado a participar do preparo, ou seja, ele cresce sabendo que todos fazem um pouquinho. E uma alimentação vegana pode ser muito completa sem ser necessariamente cara, se buscamos informações corretas e entendemos como fazer as melhores opções”, contou.

O QUE DIZEM OS ESPECIALISTAS

A nutricionista especializada em atendimento materno infantil, Marina Katz, explica que a alimentação vegetariana pode ser seguida em todos os ciclos de vida.

“É nutricionalmente adequada, promove benefícios para a saúde e previne doenças. As leguminosas, o grupo de feijões, conseguimos trabalhar a fonte proteica junto com o cereal. A tradicional comida brasileira, o arroz e feijão, por exemplo. Com essa combinação trabalhamos a fonte de proteína. A alimentação vegetariana não envolve uma questão de falta de vitaminas. É importante exames e acompanhamento independente do estilo de alimentação, por exemplo a vitamina B12”, frisou.

A obstetra niteroiense Mariana Saraça, 35 anos, contou que quando a paciente é vegetariana ou vegana, a preocupação maior é com deficiência de B12, zinco, ferro e iodo.

“Ferro a gente suplementa para todas as gestantes. Iodo tem no sal, pois a Organização Mundial de Saúde recomenda a suplementação em todo sal. Para evitar a deficiência de zinco a recomendação é dieta rica nesse elemento. Para vitamina B12, provavelmente deverá ser administrada essa vitamina como suplementação medicamentosa. A ideia é acompanhamento conjunto com nutricionista para evitar deficiências nutricionais. A paciente pode ter uma dieta assim desde que se faça o acompanhamento nutricional adequado. Essas deficiências predispõem a anemia materna ou fetal, pode levar ao parto prematuro e pode influenciar no desenvolvimento neuropsicomotor”, analisou.

Raquel Morais

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