Vegetarianismo: uma filosofia de vida

Pedro Conforte –

De acordo com a Sociedade Vegetariana Brasileira, vegetarianismo ‘é o regime alimentar que exclui todos os tipos de carnes’ e essa filosofia de vida vem ganhando cada dia mais adeptos. Nesta segunda-feira (1º) – desde 1997 – é comemorado o Dia Mundial do Vegetarianismo, que é lembrado todos os anos como uma data para incentivar esse tipo de opção alimentar, baseada em vegetais.

A modelo plus size Taiany Borges começou gradativamente a aderir ao vegetarianismo quando tinha 20 anos, primeiro cortando a carne vermelha. Hoje, aos 26 anos, ela não come mais nenhum tipo de carne, seja vermelha, de frango ou peixe.

“Desde de os meus 15 anos lembro que tinha vontade de me tornar vegetariana, mas não tinha coragem de tomar a decisão por achar que seria difícil e foi quando uma amigona minha, que hoje é mulher do meu primo, virou vegetariana, que eu vi que era possível. Eu não conhecia ninguém próximo de fato, ela foi minha primeira inspiração”, contou a modelo.

Taiany lembra que era fissurada em culinária japonesa, ma quando lembra do motivo que a levou a parar de comer carne, ela perde qualquer vontade.

“A indústria é extremamente cruel, lembro que não buscava saber como era o mercado, pois sabia que, se tivesse conhecimento, não teria mais coragem de comer carne. O famoso ‘preferir continuar ignorante’. Tomar a decisão é o mais difícil, depois que decidi, uma coisa foi levando a outra. Sou muito grata por ter tido coragem”, completou.

Aqueles que pretendem aderir a esta filosofia alimentar, mas ainda têm dúvida, a nutricionista Maria Fernanda Albengo alerta que é preciso cuidado e atenção. De acordo com ela, o vegetarianismo pode causar deficiências ao organismo se não conduzido de maneira correta e acompanhada por um nutricionista. A proteína tem função estrutural em nosso organismo, como a manutenção da massa magra, cabelos, unhas, além de função enzimática, portanto, uma dieta pobre em proteínas leva o organismo ao catabolismo e mal funcionamento.

“Além disso, tem a vitamina B12, que é de extrema importância para o organismo por participar do metabolismo sanguíneo e na prevenção da anemia. Com deficiência de B12 o indivíduo se sentirá sonolento, letárgico e sem energia e no vegetarianismo, onde não há consumo de nenhuma proteína animal, ela deve ser suplementada”, alertou.

“A substituição de nutrientes é feita a partir do aumento da ingestão de proteína vegetal e combinação com cereais. Exemplos de substituições são as leguminosas: feijões, grão de bico, lentilha, oleaginosas como amêndoas, castanhas, nozes, algumas algas que possuem uma composição interessante de nutrientes, cogumelos, tofu, quinoa. Mas é saudável? Muitos estudos apontam que indivíduos que não consomem proteína animal têm potencialmente menos risco de desenvolverem doenças cardiovasculares. O importante da transição é realizar sempre um acompanhamento para evitar qualquer prejuízo ao organismo e realizar exames laboratoriais frequentes”, esclareceu a nutricionista.

Muitas opções – Seja por conta da divulgação de informações ou da conscientização cada vez maior da população, uma coisa é certa: o vegetarianismo vem se estabelecendo cada vez mais na gastronomia. O chef de cozinha Daniel Ortiz conta que o crescimento é evidente ao longo dos últimos anos.

“Cada vez mais pessoas abraçam a causa da proteção aos animais. O nascimento de restaurantes vegetarianos e a inclusão de opções veganas e vegetarianas em restaurantes convencionais é uma pegada que já está rodando em muitos restaurantes no Brasil. Desde sempre temos vegetarianismo, seja por motivos religiosos (hindus) ou por afinidade com os animais, mas o crescimento atual se deve ao fácil acesso à informação, o que sensibilizou muito mais a nossa geração do que as anteriores”, contou o chef.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

6 + cinco =