Veganos mostram opção de Ceia de Natal sem origem animal

Raquel Morais –

Direitos dos animais. Amplo amor pelo mundo. Filosofia de vida. Essas são algumas das justificativas que os veganos usam para explicarem o motivo de abolirem qualquer alimento e material que seja de origem animal ou testados em animais. Isso compreende todas as espécies, desde uma formiga que pesa miligramas até uma baleia que pesa toneladas. E quem acha que nessa época de comilança nas festas de final de ano os veganos sofrem ou deixam de se alimentar, está completamente enganado. As ceias veganas ganham novas versões e têm como princípio básico evitar o desperdício e exagero na quantidade de alimentos na mesa.

O empresário Jonatas Limas, 32 anos, é vegano há três anos e meio e a sua mudança de estilo de vida, como ele classifica, veio de ‘uma hora para outra’. “Estava pensando na vida e pensei em como falta gentileza no mundo e eu pensei o que eu poderia fazer para ser mais gentil com o mundo e nesse momento eu pensei na carne. A carne é a maior poluição de carbono do mundo e me aprofundei no assunto e me apaixonei. Não fazia sentido eu estar questionando a gentileza humana e sacrificar um animal para me alimentar”, pontuou.

Questionado sobre uma possível recaída e vontade de comer um tradicional pernil de porco ou uma bacalhoada, Jonatan é enfático. “A mesma vontade que eu tenho de comer uma carne é a de chutar um mendigo na rua. É inconcebível. Como vou comer um porco ou um bacalhau? Eu tive uma porquinha linda de estimação e só tinha amor dela. Realmente o veganismo é uma mudança radical de pensamento”, pontuou. Para sua ceia vegana o empresário vai reinventar a famosa bacalhoada e vai preparar uma jacalhoada e um tofu defumado para substituir o tender. “A jacalhoada leva a ‘carne’ de jaca com temperos, legumes e verduras e o tofu é muito saboroso”, completou. Para acompanhar os pratos ele fará um arroz de nozes, farofa, maionese vegana e uns petiscos como pastas de humes terrine e babaganuche. “Não precisa de tanta coisa. Essa cultura de exagero não é legal e não faz muito sentido”, finalizou.

A dona do restaurante Lá na Criação, no Centro de Niterói, Thayane Silva, 28 anos, é adepta da versatilidade na sua cozinha para agradar todos os paladares. Nesse ano ela irá receber encomendas de pratos para o Natal e o cardápio é vasto e inclui opções veganas. “Eu me preocupo com a alimentação e gosto desse universo mais natural. Tem muita gente vegana que tem dificuldade em confiar em lugares que preparam comidas sem origem animal. Quando pensei em fazer a ceia eu pensei justamente nisso, e preparei dois pratos veganos”, explicou. O primeiro é um rocambole de lentilhas e quinoa que leva farinha de aveia e de amêndoas e é recheado com purê de batata. O prato será vendido por R$ 60 e serve oito fatias. E o segundo é um medalhão de soja enrolado com abobrinha e molho de leite de coco, que será vendido por R$ 35 com 12 unidades. As encomendas devem ser feitas até dia 20 de dezembro e serem retiradas no sábado, dia 22. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (21) 98095-8988.

No Empório da Ovelha, em Icaraí, também fará ceia por encomenda e uma opção vegana compõe as opções: Farofa de Natal. Ela leva farinha de mandioca em flocos, nozes, cereja, frutas cristalizadas e passas, e é feita com margarina e azeite, que não tem origem animal, e vai custar R$ 32 o quilo. As encomendados podem ser feitas até o próximo dia 20 e mais informações podem ser obtidas pelo telefone (21) 3619-0449. A tradicional Confeitaria Beira Mar, também em Icaraí, também separou uma opção vegana para a ceia de Natal. A salada Waldorf é feita de maçã, aipo e nozes e custa R$ 61,90, servindo três pessoas. As encomendas já estão disponíveis e mais informações pelo telefone (21) 3602-1070.
A nutricionista Thayana Albuquerque pontuou que seguir o veganismo tem benefício importantes como consciência ecológica, vantagens à saúde e o controle do peso. “É possível fazer uma ceia de natal vegana mas seria bem diferente do tradicional peru com tender. Tem a opção com lentilhas, strogonoff vegano, risotos, cogumelos, bolos e muitos outros pratos”, finalizou a mestre em neurociências e biologia celular.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *