“Vamos trabalhar para colocar a casa em ordem”

Camilla Galeano e Alan Bittencourt

Com foco na Segurança Pública de São Gonçalo, o candidato a prefeito Capitão Nelson (Avante) pretende começar a arrumar a cidade. Para ele, o combate ao tráfico de drogas é de suma importância para que a Prefeitura possa entrar com os serviços em todos os locais do município. Ele pretende armar a Guarda Municipal e trabalhar em conjunto com os governos Federal e Estadual. A partir da Segurança, ele pretende atrair empresas para se instalarem em São Gonçalo, para gerar empregos para a população. O candidato prometeu investir pesado em Educação e construir cinco colégios de educação integral, um em cada distrito.

A TRIBUNA –  Candidato, essa semana o senhor denunciou à Polícia Federal e à Justiça Eleitoral que foi vítima de uma campanha de fake news, com uma série de notícias contra o senhor. A que e a quem o senhor atribui essa onda de boatos?
Capitão Nelson – Primeiramente, queria deixar claro que já estou na minha sétima campanha política. Não tenho tempo para cuidar da vida dos outros. Trabalho há 38 anos no município. Trabalhei no 7º BPM (São Gonçalo), sempre no combate ao crime. Quando fui eleito vereador pela primeira vez em 2004 passei a trabalhar em pro do povo gonçalense. Ninguém joga pedra em árvore que não dá fruto. As pesquisas devem estar apontando a gente em primeiro lugar e, infelizmente, há adversários maldoso que começaram a plantar essa fake news. A Polícia Federal vai identificar os autores e serão responsabilizados civil e criminalmente e na esfera eleitoral.


AT – Um estudo feito por um grupo da UFF, da USP, a plataforma fogo cruzado e o Disque Denuncia, apontaram uma expansão da milícia nas cidades da Região Metropolitana, sobretudo em Itaboraí e São Gonçalo. Como combater essa modalidade de crime no município?
Capitão Nelson – O poder público não pode ficar ausente. Mais de 30 bairros reféns das barricadas. Ela impede a polícia de entrar, além das equipes de saúde, Correios, caminhão da coleta de lixo. Essa é a grande preocupação do poder público. Temos um programa pronto para conseguir levar todos os serviços para a população.

AT – Seu plano de governo prevê a expansão do programa São Gonçalo Presente para todos os distritos. São 5 distritos que englobam 95 bairros e um pouco mais de 1 milhão de habitantes. Existe efetivo em São Gonçalo para isso?
Capitão Nelson – Isso foi uma articulação minha. Conseguimos implementá-lo em janeiro. Tentamos uma aproximação com o prefeito para irradiar para outros bairros, mas o prefeito não quis participar desse processo. Hoje são duas bases: em Alcântara e no Centro. Queremos firmar um convênio com o Governo do Estado para colocar o São Gonçalo Presente com 150 homens e expandir o programa para outros bairros.

AT – Em relação à Guarda Municipal, em 2018 houve uma votação na Câmara onde dos 27 vereadores, 21 votaram a favor e São Gonçalo tem uma lei que autoriza o armamento da guarda. Mas até hoje isso não foi colocado em prática. O senhor é a favor do armamento da Guarda? Pretende colocar isso em prática no município?
Capitão Nelson – A Lei Federal 13.022 autoriza armar as Guardas Municipais. Há várias exigências, que precisam ser cumpridas. Como presidente da Comissão de Segurança Pública da Câmara de São Gonçalo realizei várias audiências públicas. Elaboramos um relatório que autorizava o prefeito armar a Guarda Municipal. Temos um efetivo de 327 homens. Precisamos orientar e treinar a Guarda.

AT – O senhor cita nas redes sociais que existem empresários abandonando o município por causa da falta de segurança, mas também porque não existe incentivo para o comércio. Como o senhor pretende atrair esses empresários de volta para a cidade?
Capitão Nelson – São Gonçalo perdeu várias empresas. Historicamente, o poder público nunca se aproximou do comerciante e do empresário. Empresas saíram do município e centenas de gonçalenses ficaram sem emprego. Nossa meta é se aproximar das empresas. Os shoppings têm lojas fechadas. Temos que abrir uma porta, gerar emprego. Isso significa que tem uma família sendo sustentada. Temos que criar um ambiente favorável para trazer esses empresários e investimentos para São Gonçalo.

AT – O senhor esteve essa semana em um estaleiro conversando com alguns trabalhadores da área naval. O que pode ser feito pra desenvolver os setores naval e metalúrgico na cidade e gerar mais empregos?
Capitão Nelson – Houve um esvaziamento enorme dos nossos estaleiros. Temos que nos aproximar do Governo Federal. O estaleiro que visitei essa semana tem mais de 70% de moradores de São Gonçalo. Eles têm um grave problema, que é o terceiro turno. Eles saem e não têm condução para retornar para suas casas. Temos que atender esses trabalhadores.

AT – Na área da Saúde, seu plano de governo prevê realizar um mutirão de cirurgias eletivas e zerar a fila de espera para realização de exames especializados, por que, de acordo com o senhor, existe recurso e médicos pra isso. Se tem recurso, por que hoje não é feito?
Capitão Nelson – É uma grande falta de liderança. Tenho capacidade de liderar esse mutirão. Essa fila cresce anualmente e está sendo montada de seis anos pra cá. Temos que zerar essa fila. Temos recursos do Ministério da Saúde para isso.


AT – Como o senhor avalia o Hospital de Campanha que acabou praticamente não funcionando em São Gonçalo e a atuação geral do município durante esse período de pandemia?
Capitão Nelson – A situação da pandemia envolvendo o Governo do Estado foi muito trágico para o povo. Na hora que o povo mais precisou do poder público, o governo virou as costas e botou a mão no dinheiro. Eu fui contra montar o Hospital de Campanha, principalmente pelo local, que foi inadequado. O poder público não pode deixar faltar nada para a população.

AT – Como o senhor pretende resolver o problema dos locais que não tem atendimento de saúde?

Capitão Nelson – Vamos montar uma UPA no Arsenal. Quando era deputado, licitei e consegui uma UPA no Pacheco e outra em Nova Cidade. O problema é que os 4º e 5º distritos não têm UPA, assim como o 2º distrito, que é Arsenal, Rio D’Ouro, Jockey Club, Anaia Pequeno, Maria Pula não tem uma UPA. A Clínica da Família Dr. Zerbini vai ser adaptada para se transformar numa UPA 24 horas.

AT – Educação de São Gonçalo está cansada, com vários problemas. Qual a tua proposta para a área?Capitão Nelson – Vamos investir pesado na Educação. Não podemos ter o gasto que se tem e a criança chegar ao 6º ano sem saber ler e escrever. Vamos conversar com os professores. Temos que ter um plano para fazer dois anos em um. Os profissionais da Educação farão esse planejamento. Mas tudo depende da vacina. Com relação à merenda escolar, temos uma única empresa que distribui para toda a rede. A nossa proposta é descentralizar, dar autonomia para os diretores adquirirem esses alimentos no entorno das escolas. Quero que sejam elaborados editais que favoreçam empresas de São Gonçalo. Num momento de crise financeira temos que ajudar empresas de São Gonçalo. Quero implantar cinco colégios – um em cada distrito -, com educação integral.

AT – A educação inclusiva é uma pauta que tem despertado muito interesse da população. Em São Gonçalo, há a Clínica Escola do Autista. Como o senhor pretende atuar na questão dos professores de apoio?Capitão Nelson – Tive uma reunião com deficientes auditivos e para minha surpresa ele disse que seus pais não se comunicam com ele porque não sabe Libras. Temos um projeto de construir uma escola de Libras em Vista Alegre num galpão vazio da Prefeitura para os deficientes auditivos e seus familiares e pessoas próximas.  

AT – Muitos moradores reclamam que a cidade está abandonada, com uma aparência negativa, com muito lixo e entulho nas ruas, iluminação precária, ruas que ainda não foram asfaltadas e ficam cheias de lama em período chuvoso. Qual sua proposta para resolver estes problemas?
Capitão Nelson – O problema do lixo é grave. Em Alcântara e no Centro é lixo para todo lado, a qualquer horário. Vamos conversar com os ambulantes e com os lojistas. Vamos identificar o horário que é necessário que se faça a varrição. Nada tratado é caro. É interesse de todos que a cidade esteja limpa. A partir daí, se colocarem o lixo para fora, vamos multar. A cidade vai ter que ficar limpa. A notícia de que é uma cidade suja está extrapolando as fronteiras do município, o que causa uma má impressão muito grande para os investidores. Isso nós vamos colocar um ponto final logo no primeiro mês.


AT – O Instituto Trata Brasil lançou uma cartilha para mostrar a importância do investimento em saneamento básico. São Gonçalo tem menos de 40% das moradias com ligação de esgoto e pouco mais de 15% do esgoto tratado. Existe algum projeto no seu plano de governo para resolver isso?
Capitão Nelson – Em dezembro foi aprovado pelo Senado o marco do saneamento, que atribuindo a responsabilidade aos prefeitos da distribuição de água e tratamento do esgoto. A Cedae fez muito pouco em relação à distribuição de água e nada em tratamento de esgoto. Sou a favor de não renovar o convênio com a Cedae e licitar uma empresa privada para o serviço.


AT – Falando de mobilidade, há alguns anos, ainda no governo do Neilton Mulim, foi aprovado em Brasília uma verba de R$ 280 milhões para um projeto da prefeitura de São Gonçalo de construir um corredor viário que iria do bairro Sacramento até o bairro Neves. E a prefeitura teria cedido R$ 150 milhões desses 280 pra que fosse feita a linha 3 do metrô, que ligaria Niterói a Itaboraí, passando por São Gonçalo. Nada disso saiu do papel. O que pode ser feito para os moradores que dependem de transporte público para trabalhar em municípios vizinhos?
Capitão Nelson – A gente fala em linha 3 do metrô e estação de barcas no Gradim… mas é um sonho. Não há recursos para essas obras. No início da pandemia, a prefeitura baixou um decreto permitindo que as empresas de ônibus reduzissem as suas frotas. Todos os serviços já voltaram ao normal e as frotas não voltaram ao normal. Tem que revogar esse decreto. Vários bairros estão desassistidos.

AT – Como então garantir a segurança dos rodoviários?

Capitão Nelson – Vamos adentrar as comunidades e retirar as barricadas. A Polícia vai entrar e a Prefeitura vai entrar com os serviços. Nós vamos instalar várias câmeras sigilosamente. Vamos visualizar, através do Centro de Integrado de Segurança Pública, todas as comunidades. Lógico que não será no estalar de dedos. É um processo gradual.

AT – O senhor pretende tentar algum diálogo nas esferas dos governos Federal e Estadual para uma política de fomento ao turismo? O que pode ser feito para atrair turistas para a cidade?

Capitão Nelson – Temos pontos turísticos como a Praia da Luz, mas não conseguimos passar da Ponte do Rodízio por causa do tráfico de drogas. Temos a histórica Fazenda Colubandê, tombada pelo Patrimônio Histórico. Como deputado, lutei pela volta do antigo Batalhão Florestal, que agora é Coordenadoria de Polícia Ambiental. Pedi, quando era deputado estadual, aos técnicos para pedir a restauração do casarão da fazenda.

AT – O que os artistas e atletas da cidade podem esperar de projeto para eles?

Capitão Nelson – Haverá uma ligação muito profunda entre as secretarias de Educação, Cultura e Esportes e Lazer. Não existe nada na Cultura nem no Esporte. Mas vamos ter. O povo pode confiar. Não temos um campeonato de futebol em São Gonçalo. Nem basquete, vôlei e natação. Somos um grande celeiro de atletas. Temos um teatro que foi gasto entre R$ 13 milhões e R$ 14 milhões que não foi utilizado. Tenham certeza que ele será utilizado pelos artistas de São Gonçalo.. O teatro será a casa do artista gonçalense.

AT – No Jardim Catarina existe uma lona cultural que é pouco utilizada. O senhor pretende melhorar esse projeto e levar para outros bairros?

Capitão Nelson – Primeiramente temos que libertar o Jardim Catarina do tráfico de drogas. Fazer o DPO que está inativo através do São Gonçalo Presente. Não é possível colocar a lona cultural para funcionar corretamente sem antes estabelecer uma segurança no local.

AT – Como o senhor se pretende se relacionar com os prefeitos vizinhos, principalmente com Niterói?

Capitão Nelson – Vamos conversar com todos, principalmente com Niterói. Mandamos um problema todos os dias para Niterói, que é o gonçalense. Quem cria problema no trânsito em Niterói é o gonçalense. Temos que elaborar um estudo enorme que Niterói vai ter participar, pois é o nosso vizinho rico. O Governo Federal também terá que participar e, se possível, até o estadual. Temos que conseguir uma solução viável para que atenda os dois municípios.

AT – Como o senhor pretende se relacionar com os Governos Estadual e Federal?

Capitão Nelson – Vamos nos relacionar com os dois, até porque teremos que celebrar logo um convênio com o estado para aumentar o Programa São Gonçalo Presente. Vamos nos aproximar muito do Governo Federal porque o presidente da República teve 303 mil votos em São Gonçalo. Ele precisa ajudar nosso município. Tínhamos um problema de assalto a carros e caminhões, arrastões na BR-101, que estava se tornando a rodovia do medo. Fiz inúmeros documentos para o ex-ministro Sergio Moro e não obtive resposta. Conseguimos achar a solução junto ao secretário de Polícia Militar e ao Governo do Estado. Conseguimos uma viatura da Polícia Militar em cada descida da via em São Gonçalo e quatro viaturas da Recom no trecho da BR-101 que passa pela cidade. Na área de Educação, vamos solicitar, através dos recursos do Fundeb, para colocar em prática oito projetos para construções de creches. Vamos solicitar ao Ministério da Saúde, através do SUS, vamos requisitar recursos para informatizar os 107 postos de saúde de São Gonçalo.

AT – Como o senhor pretende investir os recursos do IPTU?

Capitão Nelson – A arrecadação deve cair assustadoramente ano que vem por contra da crise financeira e da pandemia. Então temos que ver bem como investir. A folha de pagamento e os serviços realizados têm que ser pagos. O que sobra é muito pouco do orçamento, cerca de 4% a 5%. Ainda assim vamos investir pesado na Educação, Saúde e Segurança Pública.

AT – Sobre o crescimento das áreas carentes em São Gonçalo, o que fazer para que não aconteça tragédias como no Morro do Bumba, em Niterói?

Capitão Nelson – Temos que ter uma Defesa Civil municipal atuante para que a gente consiga inibir esse tipo de coisa. Nossos rios e valões não foram dragados e está chegando a época das chuvas fortes. Isso me preocupa.

AT – Qual recado o senhor gostaria de passar para seus eleitores?

Capitão Nelson – Quero agradecer à diretoria do jornal  A TRIBUNA pela oportunidade de falar dos nossos projetos. Nossos adversários vão se utilizar de todos os meios para tentar afetar minha integridade. Não vão conseguir. Procurem pela verdade. Sobre São Gonçalo, o mais importante é as pessoas entenderem que perdemos uma parte significativa do nosso território para o tráfico de drogas. Até as empresas de ônibus estão tirando os veículos das ruas por causa disso. As pessoas estão se privando de ter os serviços. Logo que ganhar as eleições vamos começar janeiro já com o pau cantando. Vamos trabalhar muito para colocar a casa em ordem.

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