‘Vamos tirar Niterói da mesmice’

Aos 73 anos de idade e mais de 50 no serviço público, Tuninho Fares (Democracia Cristã) estreia no meio político e concorre pela primeira vez a prefeito de Niterói, mesmo já conhecendo a militância como fundador e ex-presidente do sindicato de sua categoria. Ele diz que se sente preparado para o cargo máximo do Executivo niteroiense por conhecer a cidade como a palma de sua mão, incluindo potencialidades e deficiências, e que pretende colocar as pessoas certas nos cargos que tenham capacidade de executar, além de exigir que todos cumpram suas metas administrativas.

A TRIBUNA – Por que quer ser prefeito de Niterói?
Tuninho Fares – Muitas pessoas me incentivaram, inclusive funcionários da Prefeitura, que se sentem massacrados em seus direitos há muitos governos, e eu entendi que seria uma oportunidade de passar essa nossa mensagem de forma política. Sei que é uma caminhada difícil contra um poderio econômico muito grande, algo que não temos. Nosso programa, sem sombra de dúvidas, é muito avançado, e não é utopia, pelo contrário, ele é possível, mas os governos anteriores nunca fizeram. Será um governo voltado para o social, visão de que a cidade carece muito.

AT – Na área da Saúde, como pretende resolver a ausência de unidades médicas em bairros mais afastados?

Tuninho Fares – Não é difícil, basta vontade política. Já estive em locais que reclamavam disso, como a Barreirinha, na entrada do Caramujo, com centenas de moradores que têm que se deslocar até Maria Paula para receber atendimento médico. Vamos instalar uma unidade lá e em outras áreas carentes do serviço.

AT – O que pretende realizar na área social?

Tuninho Fares – Seremos um governo voltado para todos, pobres e ricos, mas com atenção maior à população mais carente. Faremos um trabalho social começando pela Saúde, que é o nosso carro-chefe, criando um complexo hospitalar que atenderá em todas as especialidades, com um cuidado especial para crianças autistas, doentes mentais e idosos. Aliás, temos um programa espetacular para os idosos. Implementaremos o que chamo de “creches para idosos”, uma inovação, que são unidades diurnas especializadas, onde os filhos ou parentes poderão deixar seus idosos para ir trabalhar tranquilos. Esses locais terão salas de jogos, acompanhamento médico, atividades físicas e refeições. Haverá profissionais capacitados e medicamentos disponíveis. À noite, o idoso retorna para o lar. Essa rede será integrada a um Hospital do Idoso, para ser encaminhado em qualquer situação de emergência. Temos cerca de cem mil idosos na cidade que precisam de atendimento sério. Os moradores de rua também terão uma atenção especial do nosso governo, pois nem todos querem estar nas ruas, sendo muitas vezes levados por desemprego ou desavenças familiares.

AT – O senhor pretende continuar durante algum tempo com os benefícios implementados durante a pandemia, como o cartão-alimentação e as cestas básicas?

Tuninho Fares – Vejo candidatos prometendo continuar até a descoberta da vacina, mas sem saber se serão eleitos. O prefeito afirmou que Niterói seria a primeira cidade a ter a vacina. Prometer benefício, vacina e cesta básica é comprar voto. Cestas básicas evidenciam a desigualdade no país, pois esse sistema condena o pobre a viver só daquilo. O governo precisa criar condições para elas saírem do benefício e da miséria. Não se pode usar o pobre para ganhar voto. Quem precisa tem que ser atendido, mas não pode ficar eternamente recebendo benefício. Algo maior precisa ser feito.

AT – Sobre a Educação, o senhor tem algum projeto específico, diferente dos moldes atuais?

Tuninho Fares – Construiremos creches em todos os lugares que necessitem, mas com pessoal capacitado e supervisão, inspirando confiança e segurança para os pais. Há crianças com histórico familiar difícil, realmente vulneráveis, e essas unidades oferecerão acolhimento e um real benefício.

AT – O senhor promete construir dois novos terminais de ônibus para desafogar o trânsito. Um seria de Santa Bárbara ao Caramujo e o outro na Niterói-Manilha, onde passageiros de outros municípios desceriam para embarcar em um VLT que os levaria até o Centro. Acredita que essa é a solução definitiva para o problema da mobilidade na cidade?

Tuninho Fares – O trânsito em Niterói é algo sério e desafiador. A cidade cresceu desordenadamente e não foi planejada para suportar essa demanda, nem tem mais para onde expandir. Fazer esses terminais para que ônibus vindos de outros municípios não venham todos para o Centro desafogaria um pouco o trânsito. Os planos primordiais são dois: a linha 3 do metrô e o sistema monotrilho. Mas isso depende de parceria com governos Estadual e Federal. Vamos brigar muito pelo metrô ou monotrilho.


AT – Na área habitacional, como controlar o crescimento irregular em áreas de riscos?
Tuninho Fares – É só não permitir. Muitas pessoas moram em áreas de risco porque o governo deixou. Elas precisam, mas não permitiremos. É uma solução fácil. Disponibilizaremos áreas públicas ou compraremos áreas particulares. Pretendemos fazer um programa habitacional excelente, que é outro problema de cunho social, como os que mencionei anteriormente. Niterói realmente não avança nesse ponto. Nosso trabalho construirá moradias em locais não afastados, como hoje é feito, e com serviços acessíveis, e não gaiolas. As pessoas tem que estar confortáveis.


AT – O senhor promete calcular uma redução no valor do IPTU do município. Como pretende fazer isso? E em quanto o senhor acha que dá pra reduzir?
Tuninho Fares – No carnê vemos um valor venal e outro de mercado completamente diferente e não sabemos como a Prefeitura faz esse cálculo. Nosso imposto é um dos mais caros do Brasil e dizem que até supera até outras cidades pelo mundo. Nosso propósito é realizar uma revisão geral e conferir quem está pagando muito e quem está pagando pouco.

AT – Com tantos anos de atuação no funcionalismo público, como avalia o trabalho dos prefeitos que a cidade já teve e que o senhor acompanhou de 57 anos para cá?
Tuninho Fares – Sou muito combativo e briguei com todos os prefeitos porque encontrei irregularidades e sempre contestei isso. Fui processado algumas vezes, mas nunca me calaram e nem vão me calar. Logicamente que todo governo tem acertos e erros. Mas acredito que Moreira Franco foi o melhor que Niterói já teve. Graças a ele a Região Oceânica existe. Foi um projeto audacioso e hoje de enorme importância, inclusive turística. Não votei nele, nem tenho ligação. Pena que hoje as lagoas estão largadas. A Prefeitura atual passou oito anos sem fazer nada e resolveu começar obras agora, depois de minhas críticas e também de outros candidatos. Faremos da Região Oceânica um verdadeiro polo turístico.

AT – Quais são suas propostas para o funcionalismo público, área que o senhor conhece bem?Tuninho Fares – Esse é um tema sobre o qual estou à vontade para falar. Sou servidor público, ex-presidente do sindicato e de associações, sempre lutando pela categoria. Acho uma vergonha a Prefeitura de uma cidade com pouco mais de 500 mil habitantes ter mais de cinco mil cargos comissionados. A maioria dos cargos é eleitoreira, de pessoas que não trabalham. No meu governo quem não trabalha vai pra rua. Sou franco e falo o que penso. O consurso público é extremamente necessário, porque dá oportunidade para todos os cidadãos. Se a cidade precisa de tantas vagas no funcionalismo, que sejam ocupadas mediante concurso. Já temos traçado o plano de carreira com salário justo e digno para que o trabalhador possa sustentar sua família, mas o servidor terá que trabalhar em prol do município e não de políticos. Há funcionários aposentados da Prefeitura de Niterói recebendo menos de um salário mínimo porque esse é o piso salarial atual, que é acrescido de abonos e vales para quem está na ativa e que o aposentado perde, justamente na velhice, quando precisa de mais cuidados, inclusive médicos. Uma vergonha qualquer pessoa ganhar menos que o mínimo federal. Evitaremos isso com um plano de carreira que abraçará aposentados e pensionistas com salário digno.

AT – Essas são as principais demandas que chegam ao sindicato da categoria?

Tuninho Fares – Essas e também a reclamação do corte do plano de saúde, que era o antigo Ibasm, mediante um pequeno desconto na folha de pagamento. Hoje o servidor público não tem onde cair morto. Caso eleito, voltaremos com o antigo Ibasm, como era antigamente. Assim como daremos à população uma saúde de primeira qualidade. Mesmo que caiam os royalties, a Prefeitura tem como melhorar nesses pontos.

AT – Existe toda uma expectativa em torno do STF reduzir os royalties de alguns municípios fluminenses, como Niterói, para reparti-los com os outros do Estado. Como espera enfrentar esse problema?
Tuninho Fares – Acho uma injustiça. O Supremo se julga dono do país, com ministros que fazem o que bem entendem. Não faz sentido dar essa verba de royalties para municípios que não produzem petróleo e nada fazem no setor. Niterói sempre teve uma boa arrecadação e nunca dependeu de royalties, mas claro que ajuda bastante. Quem se eleger vai pegar um orçamento pra 2021 já feito, então será preciso estudar com calma para refazer as metas administrativas e reduzir gastos.

AT- No que se refere à Segurança, como o senhor avalia os programas da atual administração, como o Niterói Presente e o CISP? O que o senhor faria diferente?
Tuninho Fares – Todo governo, mesmo ruim, tem algo de bom. Acho que nessa parte a atual gestão acertou em parte. Segurança é obrigação e dever do Governo do Estado, então o cidadão está pagando duas vezes pelo mesmo serviço. Perigoso não saber como é feita essa seleção, pois os policiais trabalham em suas folgas, e não sabemos se têm condições psicológicas para isso. Essa é uma função delicada, perigosa. Outra questão é que o Niterói Presente não está em todos os bairros, beneficiando apenas os mais ricos. Vamos aprimorar o programa e colocar em bairros carentes de segurança.

AT – Sobre a Guarda Municipal. Existe algum projeto para aumentar o efetivo?
Tuninho Fares – Temos pouco mais de 700 guardas municipais. Tenho plano de aumentar ainda mais o efetivo e organizar as funções. Eles estão hoje sobrecarregados de funções que não são deles. Não são obrigados a pegar criminosos. Fui contra o armamento na época do referendo porque acho que a categoria não está preparada para ser armada. Com melhor treinamento, a Guarda Municipal será de grande utilizado para o município.

AT – A pandemia do novo coronavírus colocou em evidência um problema que afeta o país todo: o desemprego. Como retomar a geração de empregos e o crescimento econômico?
Tuninho Fares – O governo não agiu corretamente. Não houve um bom plano para evitar o fechamento de centenas de empresas. Acho que nesse momento a revitalização do Centro é ainda mais importantíssima. O bairro que é o cartão de visitas da cidade está largado há muito tempo. Com um Centro adequado, bonito, a cidade atrairá outras empresas.

AT – Niterói é uma cidade com enorme potencial para o turismo. Como atrair turistas estando ao lado do Rio de Janeiro, que é uma das cidades mais visitadas do Brasil?
Tuninho Fares – Não vejo problema em estarmos perto do Rio de Janeiro. Temos sim locais lindos e mal administrados ou explorados, como a orla da Baía de Guanabara e a Região Oceânica. Despoluindo as lagoas a cidade ficará ainda melhor. Temos um projeto conjunto com bancas de jornais para que difundam o turismo da cidade. As bancas serão revitalizadas para se tornarem praticamente centros de informação turística. Vamos criar até setores com guias turísticos. O turismo da cidade será bem administrado, porque não representa só lazer e divertimento. Ele alavanca a economia e traz dividendos para a cidade.

AT – Quais seus planos para a Cultura e o Esporte?

Tuninho Fares – Já fui jogador de futebol amador e treinador, já fundei uma escolinha de futebol para filhos de funcionários públicos. Fui presidente do centro esportivo dos servidores da cidade, onde tínhamos uma equipe de atletismo. Criaremos escolinhas e vamos avançar bastante no esporte porque ressocializa. As atividades esportivas nas escolas serão alavancadas. Muitas vezes esportes e artistas são o caminho para as crianças vulneráveis e sem oportunidades. Contrata-se para festas oficiais de Niterói artistas vindos de fora pagando fábulas, enquanto os de Niterói ficam esquecidos. Faremos um trabalho conjunto com os artistas da cidade.

AT – Na sua avaliação, quais os erros e acertos da atual gestão?

Tuninho Fares – Os erros são muitos, principalmente com os cargos comissionados, com os quais gastam-se fábulas e a população não vê retorno. Também vemos obras que não são úteis, como por exemplo, esse asfaltamento com borra de asfalto, ou seja, nem asfalto direito é, e a saúde que estava tão desaparelhada que não suportou a pandemia. Não há hospital de referência. A educação também tá um marasmo total. Profissionais ganham pouco e não são valorizados. É só comparar o conteúdo didático praticado pelas redes pública e privada para ver a diferença. Implementaremos escolas profissionalizantes em parceria com instituições técnicas e também línguas estrangeiras e Libras. Mas qualquer melhoria nas redes depende de valorização e respeito aos profissionais de saúde e educação. Tem educador requerendo cinco salários mínimos e eu pretendo alcançar isso ou chegar perto. Tudo é possível fazendo cortes. O governante tem que entender que está administrando uma verba que não é dele. Tem que servir essa verba não a ele mas à população. Não serei prefeito de gabinete. Vou andar por cada pedacinho da cidade. Percorrer os bairros. Saber o que está errado. Ouvir a população e verificar. Fiscalizar o funcionamento da máquina. Ninguém melhor para dizer o que precisa do que a própria população. Conheçam nosso plano de governo. Deem uma chance para a gente!

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