Vacina contra gripe comum e Covid-19 devem ser tomadas com intervalo

A 23ª Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe começa na segunda-feira (12) e vai até o dia 9 de julho com o objetivo de vacinar pelo menos 90% do público-alvo, que totaliza mais de 79,7 milhões de pessoas. Em 2020, a ação chegou superar essa meta, atingindo 95,7% do grupo prioritário. O que muitas pessoas ainda não perceberam é que a vacinação da gripe vai coincidir com o calendário de vacinação da Covid-19.

Diante desse conflito, especialistas estão orientando os pacientes a não tomarem as doses das vacinas no mesmo dia, já que pode haver a possibilidade de um imunizante interferir na produção de anticorpos do outro. “Devido a falta de informações se uma poderá interferir na resposta vacinal da outra e se poderá aumentar eventos adversos de uma ou das duas vacinas, recomendamos o intervalo de 14 dias entre elas”, explica o médico infectologista, Dr. Gustavo Magalhães.

Considerando que a campanha no SUS prioriza Crianças de 6 meses a menores de 6 anos de idade, gestantes, idosos acima dos 60 anos e pessoas com doenças crônicas, o especialista alerta: “Para os idosos, a dose vai coincidir com a da Covid-19. Penso que se a de Covid estiver disponível, é melhor começar por ela” – pondera.

A Dona Cláudia Maria Simões, que vai se vacinar contra Covid-19, diz que a expectativa é alta já que está no grupo de risco. “Eu estou mega ansiosa para me vacinar. Dia 12 de abril inicia a imunização da Covid para a minha idade. Tenho 65 anos, algumas comorbidades e fico sozinha com minha mãe de 88 anos, que já está vacinada”, diz.

O especialista orienta ainda que as pessoas não tomem a vacina ao mesmo tempo, pois há risco de um imunizante interferir na produção de anticorpos do outro. “Devido a falta de informações se uma poderá interferir na resposta vacinal da outra e se poderá aumentar eventos adversos de uma ou das duas vacinas, recomendamos o intervalo de 14 dias entre elas”, explica Dr. Gustavo.

Perguntamos para a prefeitura de Niterói, São Gonçalo e Maricá sobre como será a campanha na cidade, levando em consideração que ainda está acontecendo a vacinação contra a Covid-19. Repassamos os questionamentos dos leitores que estão na dúvida se terão pontos de vacinação em locais diferentes, para que não haja aglomeração. Outra indagação foi se existirá algum controle de fiscalização para que as pessoas se vacinem com o intervalo solicitado pelos médicos.

A Secretaria Municipal de Saúde de Niterói informa que está fechando o planejamento para vacinação contra a gripe (Influenza) e em breve divulgará a campanha.

São Gonçalo e Maricá informaram que não receberam as doses da vacina contra a gripe, portanto a campanha, não deve começar na segunda-feira (12).

Um dos maiores desafios de realizar duas campanhas ao mesmo tempo, segundo o Dr. Gustavo. é fazer com que as informações de ambas sejam entendidas. “O desafio é ter a compreensão das pessoas, deixar claro o que pode e o que não pode em relação a cada vacina, e a necessidade de aumentar mais ainda o número de profissionais de saúde vacinando. E esses são só alguns dos desafios que o sistema de saúde enfrenta”, relata o infectologista.

Para evitar a procura por atendimento médico e a necessidade de internações hospitalares, a recomendação do especialista é a vacinação. “Ambas as doenças (Covid-19 e Gripe pelo vírus Influenza) são doenças virais de transmissão aérea, que provocam pneumonias virais, e ambas podem matar. É muito importante que as pessoas se vacinem”, pede Gustavo.

BAIXA PROCURA PELA VACINAÇÃO

O presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Juarez Cunha, afirmou que as quedas na adesão à vacinação contra a gripe e outras doenças virais preocupam a instituição. Cunha ressalta que é importante que todos se vacinem contra a gripe.

“Por enquanto, nós não temos vacina de Covid-19 para toda a população e temos uma doença respiratória com quadro parecido, que é a gripe. Mas é importante lembrar que uma vacina não substitui a outra”, afirma o médico.

A médica e pesquisadora da Fiocruz, Margareth Dalcolmo, afirmou que está liderando uma pesquisa que envolve a vacina BCG e o vírus que provoca a Covid-19.

“Há vacinas que podem não impedir a Covid-19, mas podem atenuar a virulência de um episódio. A nossa hipótese é que a BCG possa propiciar uma atenuação ou aumentar a ação imunológica das vacinas para Covid-19”, revela a médica.

Devido à falta de estudos investigando os efeitos das interações entre os dois imunizantes, por ora o Ministério da Saúde sugere que não sejam aplicados simultaneamente. A orientação do governo é que, caso a data de receber as duas vacinas coincida, a imunização contra a Covid-19 deve ser priorizada.

Camilla Galeano

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