Vacina contra a Covid-19: efeitos e reações

Raquel Morais

Tomar ou não tomar a vacina contra a Covid-19? Muito se especula sobre a imunização para conter a pandemia do coronavírus e enquanto laboratórios estão nesses processos, e a aprovação é um dos desejos mundiais, tem quem esteja com receio de se imunizar. Especialistas, médicos e pesquisadores ponderam essas informações e são a favor do uso da vacina para frear a infecção viral, mas ponderam o tempo para essa produção.

O Dr. Alberto Chebabo, Vice-presidente na Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) explicou que todas as vacinas que forem liberadas pela Anvisa terão passado pelo crivo de estudos de segurança e eficácia. “Não há nenhum motivo para não tomar a vacina para uma doença que já matou mais de 1,5 milhão de pessoas no mundo. Qualquer vacina tem chance de reação, mas os riscos são sempre muito menores da doença que elas protegem. Todas as vacinas passam por estudos sérios antes da liberação pelas agências reguladoras. Atualmente só temos resultados preliminares de fase 3 de três vacinas e ainda aguardando a finalização do estudo de uma”, frisou.

Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Universidade de Oxford apontam que a vacinação em massa evita de 2 a 5 milhões de mortes por ano no mundo. E é necessário que uma porcentagem x da população (entre 85% e 95%) seja imunizada para evitar a circulação do vírus, aliado ao efeito rebanho.

“Em geral, as vacinas não apresentam efeitos colaterais graves. Os casos agudos são raros e não puderam ser associados exclusivamente à vacina, uma vez que outros fatores, como a predisposição genética, também estão envolvidos. Os riscos associados ao uso de vacinas são largamente sobrepujados pelos riscos da não vacinação, que pode, como já dito, provocar a perda de milhões de vidas. Dessa forma, é obrigação dos profissionais de saúde divulgar os benefícios da vacinação e combater as informações e evidências supostamente científicas que tentam trazer descrédito à vacinação como forma de proteger a população”, contou o imunologista Dr. Alexandre Okamori.

Porém o Comitê Consultivo da Administração de Medicamentos e Alimentos (FDA, na sigla em inglês) apontou que pessoas com preenchimentos faciais cosméticos podem apresentar inchaço e inflamação com uma das vacinas contra o coronavírus. “Nesses casos, os pacientes apresentavam inchaço e inflamação na área que recebeu o preenchimento. Alguns pacientes receberam preenchimento da bochecha seis meses antes da vacina e um paciente fez preenchimento dos lábios dois dias após a vacina. Todos foram tratados com esteróides e anti-histamínicos e todas as suas reações resolvidas”, contou Dra. Shirley Chi.

A dona de casa Ana Vieira da Costa, 63 anos, tem medo da vacina e está em dúvida se vai tomar ou não. “Eu tenho medo. Escutamos tantas coisas. Dizem que uma vacina para ser criada precisa de até cinco anos. Como em menos de um ano foi feita uma? Fico com medo de ser feita de cobaia e ter uma reação indesejada. Eu tenho uma resistência para vacinas. Por exemplo, eu tomei a da gripe e fiquei gripada e tive febre. Imagina se eu tomo a do coronavírus e fico infectada com o vírus?”, indagou.

A epidemiologista e clínica geral Dra. Ana Sodré reforçou que está achando muito rápido o processo e as etapas estão sendo encurtadas. “Conforme a doença vai se espalhando, vamos aprendendo também. Uma vacina é um produto pensado para estimular o sistema imune que ele tenha suas defesas em relação a uma doença. Para que ela possa ser desenvolvida precisa estabelecer vários critérios como eficácia, segurança da vacina, entre outros pontos. Também acredito que existe um viés comercial importantíssimo. Deveriam ter um nível ético muito maior do que a de nível econômico”, ponderou.

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