Usuários e ex-funcionários do Sesc e Senac protestam contra demissões

Raquel Morais –

Na manhã desta quinta-feira (25), cerca de 200 pessoas entre ex-funcionários do Serviço Social do Comércio (Sesc), do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) e usuários das duas instituições realizaram um ato em Niterói, em frente à reitoria da UFF, em Icaraí. O grupo manifestou sobre as demissões em massa que estão ocorrendo nas unidades, como em Niterói por exemplo, assim como a interrupção de vários serviços, programações e projetos sociais de qualidade, como artesanato, teatro, odontologia, cursos técnicos e programas de gratuidade. O término dessas atividades deixa de beneficiar centenas de pessoas.

Após a concentração em Icaraí, o grupo seguiu em caminhada pela Praia de Icaraí munidos de cartazes, faixas, apitos e muita vontade de mudar o atual cenário econômico do estado. O destino final foi o Hotel H Niterói, no Ingá, onde acontecia uma reunião sobre o Mapa Estratégico do Comércio, feita pela própria Fecomércio-RJ, que integra o Sesc e o Senac.

“O problema do Sesc não é dinheiro, e sim desvio de verba. O Sesc está bancando o time de vôlei masculino, que agora está com o técnico Geovane, que está ganhando R$ 33 mil por mês. Em julho serão contratados mais cinco jogadores da Seleção Brasileira do Bernardinho. Então como estão mandando as pessoas embora e estão investindo nesse setor?”, indagou Luiz Paulo Tavares, 59 anos, que foi por 17 anos coordenador da folha de pagamento do Sesc Rio.

“A missão do Sesc é atender os comerciários e as famílias de baixa renda, através de serviços sociais, e eles estão cortando isso. Está errado e o investimento está sendo em um setor que não é interesse do público-alvo da entidade”, frisou indignado Sérgio Barope, 50 anos, que foi por quatro anos gerente da unidade Niterói, e demitido em abril.

Ao todo mais de 700 demissões já aconteceram ao longo de 2017. “Sou associada ao Sesc há mais de 15 anos, meus filhos estudaram no Sesc Niterói nos áureos tempos. Hoje é muito triste ver todo aquele espaço vazio e sem atividades. Também lamentamos muito as demissões que estão ocorrendo. Todos os dias sabemos de alguém que foi mandado embora sem nenhum motivo e o Sesc sempre foi conhecido por manter seus funcionários por muitos anos”, comentou Maria Aparecida, de 56 anos, moradora de Niterói.

“Sinto falta do serviço de odontologia que eu e minha família fazíamos tratamento. Também sinto falta do restaurante do Sesc São Gonçalo que tinha um preço muito barato”, enumerou a dona de casa Maria Áurea, de 44 anos.

O Sistema Fecomercio-RJ limitou-se a dizer que “desde janeiro de 2017 vem redesenhando processos em sua estrutura, buscando uma gestão cada vez mais eficaz. Neste intervalo, está reformulando alguns de seus serviços, tornando-os mais modernos e alinhados com as melhores práticas do mercado. O objetivo é obter maior abrangência e efetividade”.

Questionado sobre o investimento no setor de esporte, o Sesc não se manifestou sobre o assunto.

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