Uso consciente da roupa agita mercado de brechós e armários compartilhados

Raquel Morais –

O reaproveitamento de roupas, acessórios, livros e até móveis é uma atitude sustentável e que cada vez mais ganha o gosto das pessoas. Os antigos e empoeirados brechós ganharam nova roupagem e abrem suas portas para o garimpo em edifícios de luxo das grandes cidades. O conceito de armário compartilhado, muito usado em São Paulo, também já chegou em Niterói e ganha novos ‘donos’ a cada dia. Comerciantes do setor apontam aumento nas vendas de até 50% com outros anos.

A especialista em Educação Ambiental, Suzana Moura, de 36 anos, explicou que o conceito de consumo consciente está cada dia mais entrando na rotina das pessoas. “É abrir mão de uma realidade consumista e que nos vende a todo minuto que devemos ‘ter’ e não ‘ser’. As roupas, objetos, livros e todos esses acessórios não desaparecem do mundo. Os impactos da indústria da moda (uma das mais milionárias do mundo), vão desde o plantio do algodão, até a confecção da peça, além dos impactos de comercialização. O cultivo do algodão, em virtude da grande quantidade de pesticidas, inseticidas e fertilizantes empregados para a obtenção da fibra, causa contaminação da água, solo e fauna. Além de consumir um volume gigantesco de água nos processos de beneficiamento e acabamento, como alvejar e tingir as peças, os impactos ambientais envolvem contaminação do solo, consumo de água, de energia, emissões atmosféricas de poluentes e resíduos sólidos”, orientou.

A jornalista e empresária Luana Souza, de 33 anos, é uma dessas garimpeiras de mão cheia. E sua filha, a blogueirinha Giovana, de 2 anos e 4 meses, já segue os passos da mãe e escolhe, ela mesma, as roupinhas que não gosta mais. “Não tenho frescuras quanto a comprar usado. Tenho alguns critérios: só compro de mãezinhas que conheço e sei dos cuidados com a higiene e bom estado das roupas, e que tenha um preço diferenciado ao da loja. É uma economia e tanta. Procuro fazer o mesmo com as roupinhas da minha filha, que cresce muito rápido e assim precisa sempre de reposições no guarda-roupa. O que não cabe mais, vendemos e o dinheiro que entra, utilizo pra comprar qualquer outra coisa que ela precise. Temos um grupo de mães da escola e outros nas redes sociais que facilitam muito”, comentou a moradora de São Gonçalo.
O valor foi apontado justamente pela empresária Wilza Chagas, que é uma das donas do Brechó Só Marias, em Niterói. Ela explicou que, apesar de ter repaginado o conceito do brechó, com uma loja bem estruturada, tem noção que precisa vender com preço de um produto usado. “A cliente tem que ter vantagem comprando uma peça usada com uma diferença de preço considerável”, contou a comerciante, que percebeu aumento de 50% no movimento.

A produtora de moda Priscila Miraldi, de 25 anos, diz que sempre foi apaixonada por moda e nos brechós consegue garimpar peças exclusivas. “Depois das buscas por brechós mudei completamente o meu conceito nas fast fashion. Percebi que há possibilidade de adquirir uma peça similar pela metade do valor, ou até bem menos que isso. Além disso, as peças de brechó têm uma ótima qualidade e muitas vezes em ótimo estado de uso” declarou. Ela ainda contou uma dica preciosa. “Não se preocupe com as peças largas. Quando o custo-beneficio é atraente se torna válido adquirir a peça e levar para costureira. Mesmo assim, ainda será mais barato que comprar em lojas de departamento”, completou.

ARMÁRIO COMPARTILHADO
A empresária Luísa Barros, de 31 anos, dona do Nosso Closet Clube, em Niterói, conseguiu implantar na cidade o conceito de armário compartilhado, muito usado em São Paulo. A ideia é comprar assinaturas que permitem o uso de determinada quantidade de roupas por mês. “A ‘dona’ do armário que fechar um plano vai ter direito a pegar as roupas e devolver no prazo estipulado. Como se fosse o próprio armário da sua casa. A única exigência é entregar a roupa lavada e da maneira que encontrou no armário. É aquela velha e boa troca de roupa com a amiga”, brincou a consultora de imagem.

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