Uma vida livre do cigarro

Raquel Morais –

Nesta terça-feira (29) é comemorado o Dia Nacional de Combate ao Fumo, data intitulada desde 1986, pela Lei Federal 7.488, para conscientizar as pessoas dos riscos do cigarro. A campanha desse ano tem o tema “#MostreAtitude: sem o cigarro, sua vida ganha mais saúde”. Dados do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca) apontam que a queda de 11,89% nos índices de mortalidade por câncer de pulmão: 18,5 por 100 mil pessoas em 2005 para 16,3 por 100 mil em 2014. E tem muito niteroiense que faz parte dessa estatística de ex-fumantes.

O aposentado Newton Silveira, de 81 anos, parou de fumar há 26 anos em uma atitude drástica. Após passar mal, com falta de ar, o niteroiense queimou o maço de cigarro enquanto caminhava na rua. “Desde então nunca mais coloquei um cigarro na boca. Só tenho vontade de fumar cachimbo, mas estou aguardando o momento certo”, comentou.

O amigo Orlando Galindo, de 90 anos, também é um exemplo de força de vontade. Fumante desde os 14 anos ele largou o vício quando estava com 48 anos e ficou com a mesma carteira de cigarro, com cinco unidades, por 10 anos na gaveta. “Depois de uma década consegui me desfazer dela. Foi a melhor coisa que fiz na minha vida”, falou.

O também aposentado Luiz Antônio Paz, de 79 anos, fumou por 37 anos e está há 27 sem fumar. “Na época eu fumava depois do café, depois do almoço, quando estava nervoso e tudo era motivo de acender um cigarro. Hoje me sinto muito mais livre, caminho todos os dias, pego um sol para melhorar a pele e até minha respiração melhorou”, resumiu.

E se para muitos encerrar o vício já foi batalha vencida, o niteroiense Carlos Alberto Miranda, de 79 anos, fumou desde os 17 e está há 10 meses longe do vício. “Minha esposa me pediu muito para largar o cigarro. Consegui vencer essa batalha, não tenho vontade de voltar a tragar, mas meus filhos são fumantes e não fumam perto de mim”, lembrou.

A agente de pesquisa Cindy Silva, 31 anos, está há quatro anos dependente do cigarro. “Comecei a fumar no final de semana, depois de beber, na balada, e aí o vício me pegou. Tenho muita vontade de parar, mas não consigo. O máximo que consegui foi ficar dois dias sem fumar. Quase enlouqueci”, narrou a jovem que fuma uma carteira de cigarros por dia.

Segundo o Inca, a data inaugura a normatização voltada para o controle do tabagismo como problema de saúde coletiva. Cerca de 90% dos homens com câncer de pulmão fumaram em algum momento da vida e que o tempo que um fumante demora para desenvolver um câncer de pulmão é de pelo menos 20 anos. A redução na prevalência de fumantes na população masculina brasileira, desde o final da década de 80, reflete a atual queda da mortalidade por câncer de pulmão entre os homens. Entre as mulheres, a mortalidade por câncer de pulmão ainda não diminuiu. A taxa padronizada era de 7,7 em 2005 e aumentou para 8,8 em 2014. “No Brasil, as mulheres começaram a fumar depois dos homens, com a popularização de marcas de cigarros para o público feminino nas décadas de 70 e 80. A taxa de mortalidade entre as mulheres continua subindo, mas nossa previsão é que, futuramente, comece a cair, se mantivermos a tendência de queda no uso do tabaco no país” analisou a médica, epidemiologista e gerente da Divisão de Pesquisa Populacional do Inca, Liz Almeida.

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