UMA GUERRA DESIGUAL

O filme “300” retrata a Batalha de Termópilas, na Grécia, uma sangrenta luta ocorrida em 480 a.C, durante a 2ª Guerra Médica. Foi uma batalha desigual: de um lado, 300 mil homens do Exército da Pérsia, que tinha como objetivo conquistar a Grécia. De outro, uma força de soldados gregos liderados por 300 guerreiros espartanos. Os bravos guerreiros resistiram por três dias e foram vencidos após a traição de um pastor grego chamado Epyaltes, que mostrou aos persas uma trilha por um desfiladeiro, que permitiu aos persas encurralar os espartanos pela frente e pela retaguarda. Na quarta-feira (24), o Brasil chorou ao espantoso número de mais de 300 mil mortes de bravos guerreiros e guerreiras, que lutaram por dias contra o vírus invasor. Ao contrário dos espartanos, que tiveram ao seu lado o tempo todo seu rei Leonidas, os brasileiros lutam também contra o negacionismo do presidente Jair Bolsonaro, que menosprezou e zombou da Covid-19.

Assim como na batalha em sol grego, quando os 300 lutaram contra um exército de 250 mil soldados, no Brasil a luta para conter a pandemia é desigual. Bolsonaro promove aglomerações, gastou milhões com medicamentos como a cloroquina e ivermectina, cujas eficácias no tratamento contra a doença foi negada cientificamente. O presidente já disse que não tomaria a vacina chinesa.

Agora, com o quarto ministro da Saúde em plena pandemia, ele tenta mudar a imagem de negacionista, porém sem sucesso. Muitas das mortes infelizmente aconteceriam. Entretanto, se o Brasil não tivesse um chefe de Estado que é contra o fechamento do comércio para não superlotar os hospitais do país, que negou-se a comprar vacinas no ano passado, o que faria com que a vacinação estivesse mais avançada.

Assim como as tropas do rei Xerxes, da Pérsia, que avançaram pela Grécia continental rumo a Atenas, exterminando vidas, o coronavírus segue matando pelo mundo. Mas no Brasil, ele tem como aliado Jair Bolsonaro, que trai o povo que deveria salvar com políticas públicas visando única e exclusivamente salvar o maior número de vidas possíveis de seus compatriota.

Apesar da derrota na Batalha de Termópilas, os gregos puderam se rearticular, culminando em vitórias em confrontos decisivos contra os persas. A guerra terminaria 12 anos depois, com a vitória dos gregos.

Os brasileiros têm a esperança que a vitória contra o coronavírus não dure tanto tempo. E que a vacinação chegue a toda a população de uma forma acelerada, para assim, aliada a medidas de distanciamento social – ainda que duras –, o vírus invasor e seus aliados sejam finalmente derrotados.

Alan Bittencourt

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