Uma confusão do cacete

É compreensível a grande confusão de informações no começo da quarentena do coronavírus. Nem a ciência sabia direito quem era, como era o inimigo, mas já começou a desvendar esse vírus. Logo virá o remédio. A eficácia da cloroquina não foi cientificamente comprovada.

A cloroquina, indicada para o tratamento de malárias e outras doenças, causa pesados efeitos colaterais entre eles danos ao coração que podem matar. O ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse que além de não estar cientificamente aprovada para uso em coronavírus, o remédio só seria necessário em 15% dos pacientes, mesmo assim internados. Ele perguntou: “quem está no grupo de 85% acha que vale a pena arriscar a vida e tomar cloroquina?”. Eu acho que não.

Máscaras. No começo o governo pedia para ninguém usar, depois sugeriu máscaras de pano e agora parece que virou solução. Diziam que a máscara não livra o usuário de pegar a doença, só as pessoas em volta (a saliva não sai), mas agora há cientistas dizendo que quem coloca a máscara também está protegido.

Quarta-feira um vendedor solitário descia a rua Miguel de Frias vendendo máscaras. Cada uma por 10 reais. Foi o dia em que a prefeitura distribuiu máscaras gratuitas em frente ao supermercado Mundial, em Santa Rosa. Não entendi por que somente lá, mas meu negócio não era perguntar mas conseguir uma. Subi na bicicleta e começou a chover. Missão abortada.

Vitamina D. No começo disseram que poderia ajudar na proteção, depois desmentiram, mas vemos anúncios dela por aí. A vitamina D só é produzida pelos raios solares, mais nada. Significa que quem estiver com o nível baixo tem que tomar em comprimidos. Como saber como anda a sua vitamina D? Ir a um médico e pedir que ele encaminhe para um exame de sangue.

Sintomas básicos de falta de Vitamina D: excesso de sono; contrair infecções com frequência; fadiga e cansaço; depressão; dor nos ossos e nas costas; dificuldade de cicatrização; perda de cabelo, etc. Ou seja, com ou sem coronavírus, verificar a quantas anda a vitamina é fundamental.

Importante dizer que nenhum vírus gosta de ambiente ventilado. Adoram ambientes fechados, abafados. Logo, se você tem o hábito de ficar trancado, portas e janelas lacradas, está facilitando a vida de muitos micro organismos oportunistas como o coronavírus. Quem prefere ambientes ventilados (principalmente para dormir), melhor ainda com um ventilador ligado puxando o ar de fora, está muito mais protegido e pode até se livrar de algumas alergias contraídas no passado.

Fuja de vídeos e textos do whatsapp, facebook, etc. A maioria é falsa, ou mentirosa, ou manipulada. Procure se informar em sites de jornalismo profissional reconhecidos, sérios. Beba muita água (mínimo de dois litros e meio por dia), se conseguir use máscara a cada duas horas, retirando para lavar e tenha fé. 

Fundamental tomar a vacina contra a gripe (que não tem nada a ver com coronavírus). É que os sintomas são parecidos e com a vacina a hipótese de gripe fica afastada.

Como há muita lenda circulando, perguntas e resposta que busquei na Sociedade Brasileira de Infectologia: 

A vacina contra a gripe previne o coronavírus?

Não. A vacina contra a gripe e as pneumocócicas — também citadas em alguns boatos — são extremamente importantes, mas não conferem proteção contra qualquer tipo de coronavírus.

Não faço parte dos grupos de risco. Posso/devo me vacinar?

Tanto pode como deve. A vacina é recomendada para todas as pessoas a partir de seis meses de idade.

Quanto tempo leva para a vacina fazer efeito?

De duas a três semanas após a aplicação.

Quem já teve H1N1 há dois anos já está imune?

Infelizmente, não. Tem que tomar todo ano porque os vírus que causam a gripe sofrem mutações com alguma regularidade, o que significa que um mesmo tipo pode adquirir características diferentes com o passar do tempo. Por exemplo, o H1N1 de um ano não obrigatoriamente será o mesmo no ano seguinte.

Posso tomar a vacina se estiver gripado?

Só se não estiver com febre. Mesmo assim, pergunte a um médico.

Vamos em frente. Isso vi passar. Logo.

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