Um fenômeno chamado Roupa Nova

A morte do vocalista Paulinho, do Roupa Nova, entristeceu o país e todos nós que mesmo que à distância acompanhamos a bela caminhada da banda. Sentimos muito. Muito.

Sei que não interessa aos leitores o que acontece na minha vida, especialmente agora quando vivo uma fase curiosa com sucessivos fatos que enaltecem a minha planetária e generalizada desimportância. Mas não custa tentar.

Conheci o Roupa Nova em 1980. Paulinho, vocal e percussão; Serginho Herval – bateria, percussão, violão e voz; Nando: baixo, violão e voz; Kiko: guitarra, violão e vocais; Ricardo Feghali: piano, teclado, guitarra, baixo, violão e voz e Cleberson Horsth: Teclado, piano e vocais.

O pessoal da Rádio Cidade fez um antológico show no Canecão e eu toquei baixo, o Fender Precision do Nando. Durante várias semanas nós ensaiamos no estúdio do Roupa Nova, usando equipamento deles, convivendo com alguns integrantes, uns caras muito legais.

Deu para perceber a grande amizade e união entre eles, o que é raro nas bandas. Impressionante o investimento que eles faziam em equipamentos para fazerem o melhor da música popular, determinados em se tornarem a banda mais popular do país. Graças ao seu enorme talento, escolha de repertório, profissionalismo, tornou-se um fenômeno de sucesso. Ganhou todos os prêmios musicais, entre eles o Grammy Latino.

Eu era editor de jornalismo da Rádio Cidade, em 1981, o diretor Cléver Pereira reuniu toda a equipe no estúdio e mostrou uma tijolada musical de muitos megatons: “Sapato Velho”, com o Roupa Nova.

Nos primeiros acordes parecia o Queen tocando. Ouvimos uma das melhores bandas da história da música pop mostrando a sua genialidade. A palavra é essa. Genialidade. E eu imagino a emoção dos autores de “Sapato Velho”, Mú, Paulinho Tapajós, Cláudio Nucci ouvindo a obra de arte que o Roupa Nova fez.

Todos os sucessos do Roupa Nova são músicas de alto astral: “A Viagem”, “Coração Pirata”, “Ando Meio Desligado”, “Dona”, “Felicidade”,      “Whisky a Go Go”, e muitas outras. Sucessos que marcaram a história de milhões de pessoas. Recordista em vendas de discos, DVDs, Roupa Nova também superlota todos os lugares onde toca ao vivo. Por exemplo, em seus shows anuais no Vivo Rio os ingressos são disputadíssimos.

“Sapato Velho”, por exemplo, nos leva a um sonho antigo do homem: viver o amor eternamente e voltar no tempo para resgatar a juventude. Confira:

“Você lembra, lembra/Daquele tempo/Eu tinha estrelas nos olhos/Um jeito de herói/Era mais forte e veloz/Que qualquer mocinho/De Cowboy/Você lembra, lembra!/ Que eu costumava andar/Bem mais de mil léguas/Pra poder buscar/Flores-de-maio azuis/E os seus cabelos enfeitar/Água da fonte/Cansei de beber/Pra não envelhecer/Como quisesse/Roubar da manhã/Um lindo pôr-de-sol/Hoje não colho mais/As flores-de-maio/Nem sou mais veloz/Como os heróis/É! Talvez eu seja/Simplesmente/Como um sapato velho/Mas ainda sirvo/Se você quiser/Basta você me calçar/Que eu aqueço o frio/ Dos seus pés/Água da fonte/Cansei de beber/Pra não envelhecer/Como quisesse/Roubar da manhã/Um lindo pôr-de-sol/Hoje não colho mais/As flores-de-maio/Nem sou mais veloz/Como os heróis…/É! Talvez eu seja/Simplesmente/Como um sapato velho/Mas ainda sirvo/Se você quiser/Basta você me calçar/Que eu aqueço o frio/Dos seus pés/Talvez eu seja/Simplesmente/Como um sapato velho/Mas ainda sirvo/Se você quiser/Basta você me calçar/Que eu aqueço o frio/Dos seus pés.”

Paulinho tornou-se um herói que mora nos corações de milhões de fãs que sonharam e sonham ao som de uma banda popular de altíssimo nível musical e técnico. Um orgulho para o país.

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