Um CD digno de aplausos

Aquiles Rique Reis, vocalista do MPB4

É com prazer que trago até vocês um álbum com nove composições do pianista, compositor, arranjador e produtor musical Hamleto Stamato. Autoral (independente)é o título deste trabalho que pode ser ouvido e/ou comprado nos formatos físico (www.hamletostamato.com) ou digital (nos aplicativos de música).

Seus temas têm o frescor da inventividade sem parti pris. Tãobela que é, a sonoridade das teclas do seu piano é acolhedora. A criatividade com que escreve para os metais é viva. Meu Deus!, é com esse talento que Stamato amplia sua música.

O naipe à sua disposição tem Marcelo Martins (sax tenor), Jessé Sadoc (trompete e flugelhorn) e Vittor Santos (trombone). O som do trio é como a realização de um sonho que costuma encantar os maestros: a possibilidade de tangenciar o âmago de um sopro virtuoso. Tudo em Autoral é envolvente. Ainda mais com uma afinação segura… é dela que brota a música que costuma ser admirável.

A cozinha é igualmente enxuta. Apenas Augusto Mattoso (baixo) e
Erivelton Silva (batera) seguram a levada e incrementam o suingue, dando aos sopros tudo do bom e do melhor, permitindo ao ouvinte momentos da mais digna beleza instrumental.

Com mixagem e masterização a cargo de Alfonso Almiñana Saenz no Audiomagic (Espanha), cada detalhe dos arranjos ganha presença graças à sensibilidade dos peritos de mixagem e masterização. Nada como bons especialistas para trabalhar a gravação, “sentindo” os arranjos e o desempenho dos músicos. E é encorpando a sonoridade dos instrumentos que eles a apresentam à nossa caixola.

A tampa abre com “Lambassa” (Hamleto Stamato). Acordes dos sopros criam a introdução e, quando juntos ao som acústico do baixo e da batera, arrebatam. Ao longo do álbum, os improvisos são muito bem distribuídos, deixando no ar algo como se fossem imagens desenhadas pelo som. O piano improvisa. A batera vem com ele. O suingue vibra quente. Os sopros se ajuntam a piano, batera e baixo e protagonizam a beleza, num arranjo merecedor de aplausos em cena aberta.

A seguir vem “Cris”, composição de HS em homenagem à sua esposa. Stamato canta de maneira correta. (Este arranjo é um dos três que contam com a Petersburg Recording Studio, de São Petersburgo, Rússia, sob a regência do maestro Cleber Augusto) No samba leve, sente-se o fino balanço. Um intermezzo do piano, ao longo de inúmeros e generosos compassos, dá mostra do seu poder de emocionar.

As cordas da orquestra, cujo spalla é Mikhail Krutik, têm dez violinos,
seis violas e quatro cellos. Bons de se ouvir, seus integrantes primam pelo esmero das afinações. No momento em que dividem o arranjo com os sopros, a batera, o piano e o baixo, tudo é música boa e bem tocada.

“Samba Pra Mama” (HS) tem ritmo agitado. Os sopros fazem misérias. Após a quebradeira da primeira parte, enquanto naipe, baixo e batera o protegem, o piano vai ao proscênio. E lá, nas mãos de Hameleto Stamato, dá show de bola…

Ah meu Deus, Autoral é música na veia.

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