Um bem para toda cidade

Raquel Morais –

Foi publicada no Diário Oficial uma lei que transforma as profissões de engraxate e sapateiro como Bens Imateriais de Niterói. As duas leis (3267/2017 – sapateiro e 3268/2017 – engraxate) são de autoria de Gezivaldo Renatinho Ribeiro de Freitas, o ex-vereador Renatinho (PSol). Profissionais do segmento comemoraram a considerada homenagem do poder público.

O engraxate Wildinei Esteves, de 53 anos, tem mais de 20 anos de profissão e ficou muito feliz com a notícia. “Trato com muito carinho e amor os meus clientes e meus sapatos”, brincou. “Gosto muito de ver os sapatos limpos e brilhando e gosto da maneira como os clientes me tratam. Tenho clientes fiéis há anos”, comentou o profissional que trabalha na Avenida Ernani do Amaral Peixoto, na altura do número 200, no Centro de Niterói. Todo o trabalho de engraxar os sapatos custa R$ 4 e Ney, como é carinhosamente conhecido na localidade, chega a atender de 10 a 15 pessoas diariamente.

O aposentado Jairo Malheiros, de 67 anos, é um desses ‘amigos do engraxate’ e senta em sua cadeira para os minutinhos de relaxamento pelo menos uma vez por semana. “Me considero um homem vaidoso e valorizo essa profissão e o carinho que ele tem com a gente. Realmente o Ney é um patrimônio da nossa cidade”, divulgou o niteroiense.

A outra profissão que ganhou o título de bem imaterial de Niterói foi a de sapateiro, que é muito bem representada por um italiano que também tem o Brasil no coração. Carmine Rizzo, de 78 anos, está há 54 anos trabalhando no mesmo atelier em São Domingos. “Acho que a minha profissão deve ser muito valorizada. Eu acho que ela é igual à cachaça e eu sou apaixonado pelo que faço. Vou morrer trabalhando como sapateiro e ver essa valorização me deixa feliz. Ainda mais que eu comecei a minha vida no Brasil como engraxate”, lembrou. “Comecei a trabalhar com couro e costura ainda na Itália, com oito anos, ajudando o meu pai, que era seleiro”, completou Rizzo.

Dando sequência às leis, a de número 3269/2017, de autoria do vereador Alberto Iecin, Betinho (SD), altera a já existente 3.206/2016 referente ao táxi mais antigo do Brasil, o conhecido Fusca Sedan ano 1969, placa KSN-1883. Agora a atualização dá o título de patrimônio cultural de interesse público, para fins de tombamento de natureza imaterial.

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