Um ano do primeiro dia útil do Mergulhão da Renascença

Nesta terça-feira (21) o mergulhão José Vicente Filho, na Praça Renascença, no Centro de Niterói, completou um ano do seu primeiro dia útil. Mas os motoristas que usam a passagem subterrânea não estão em clima de comemoração. Mesmo após o ‘aniversário’ de utilização, o que era para ser uma ferramenta para melhorar a mobilidade urbana na cidade virou um trecho temido pelos motoristas. Os constantes congestionamentos no entorno no mergulhão, na Avenida Feliciano Sodré e Rua Marquês do Paraná, ainda geram dúvidas sobre seu real objetivo: desafogar o trânsito de quem segue do Centro para a Zona Norte, seja pelo Fonseca ou pela BR-101, e vice-versa.

Dados da Niterói Transporte e Trânsito (NitTrans) apontam que desde a inauguração até a última segunda-feira (20) foram contabilizadas 3 milhões e 600 mil passagens de veículos pelo mergulhão. Diariamente são de quatro a cinco mil veículos de passeios e uma média de mil ônibus que usam a passagem subterrânea. “Não temos nenhum registro de acidente, atropelamento e nem mesmo enguiço de veículos nesse local. E até mesmo a retenção que existe nessa área não é no mergulhão e sim no entorno, principalmente pelo afunilamento da pista de quem chega da Avenida do Contorno para a Marquês de Paraná”, explicou o coronel Paulo Afonso, presidente da autarquia.

Mas os motoristas não estão tão otimistas quanto o secretário. O taxista Rogério Andrade, 61 anos, trabalha há 26 anos dirigindo na cidade e confessa nunca ter visto um trânsito tão congestionado como atualmente. “A confusão de veículos e o tempo gasto para sair desse mafuá é muito grande. Para quem sai do Centro de Niterói sentido Zona Norte a obra ajudou muito, mas quem chega na cidade a situação é muito ruim”, comentou. A dona de casa Jéssica Oliveira, 27 anos, chamou atenção para as ruas que foram fechadas por conta da abertura da passagem subterrânea, trecho da Avenida Feliciano Sodré. “Eu entendo que as ruas foram fechadas para retirada do sinal e para melhorar a fluidez do trânsito, mas isso também poderia ser revisto. Eu moro em Itaboraí mas minha filha estuda em Niterói e todos os dias eu faço esse caminho e observo que esses espaços poderiam ser utilizados”, pontuou.

O secretário Paulo Afonso também comentou essa indagação. “Essas duas ruas que foram fechadas são usadas para os pedestres e não temos projetos para modificar isso. Elas também são usadas como reserva técnica para emergência. Um dos segredos para a ausência de acidentes nesses trechos é que temos a presença 24 horas de um reboque pesado, um leve, uma viatura de incêndio e um operador da NitTrans”, enumerou. O especialista em trânsito, Márcio Dias, também analisou essas questões. “Se essas ruas fossem abertas teriam que voltar os semáforos, o que anula todo o projeto para melhorar a fluidez do trânsito, e provavelmente teria ainda mais problema no trânsito. O mergulhão com certeza desafogou muito o trânsito, mas investir em mais faixas de rolamento, placas de trânsito e até mais operadores de trânsito poderiam ajudar a desfazer o trânsito lento do local. Seria um conjunto de ferramentas para melhorar essas questões”, sintetizou.

MERGULHÃO
O mergulhão foi inaugurado no dia 19 de agosto de 2017, em um sábado, com investimento de R$ 70 milhões. Ele tem 500 metros de extensão sendo 150 metros de trecho subterrâneo. A obra foi uma das cláusulas do contrato de concessão da Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT) que a Ecoponte assumiu quando passou a administrar a Ponte Rio-Niterói.

ESQUEMA DE TRÂNSITO
Os veículos que passam da Feliciano Sodré e Manuel Pacheco de Carvalho acessam o mergulhão para seguir em direção à Contorno ou Alameda São Boaventura. Para quem passa na BR 101 em direção à Contorno acessa o novo retorno antes da Praça Renascença para seguir em direção à via. Já o motorista que vem da BR 101 ou da Ilha da Conceição em direção à Alameda São Boaventura segue pela Jansen de Melo, Rua Heitor Carrilho, depois a Manuel Pacheco de Carvalho até o mergulhão.

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