UFF se posiciona contra extinção da Uerj e lança manifesto com outras 10 instituições

Na semana passada foi publicado no Diário Oficial do Rio de Janeiro a tramitação para comissões da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) para votação da extinção da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e a transferência dos alunos. O Projeto de Lei em questão, 4.673/21, é alvo de polêmica e não tem aprovação do presidente da Casa e nem de outras instituições públicas, como a Universidade Federal Fluminense que prestou apoio para a Uerj.

O PL é de autoria do deputado Anderson Moraes (PSL-RJ) que propõe também o repasse dos patrimônios para a iniciativa privada. O deputado foi procurado pela reportagem mas ainda não se manifestou sobre o assunto.

A UFF divulgou o documento em que presta apoio para a Uerj, com assinatura de mais 10 responsáveis por instituições federais e estaduais de ensino do estado do Rio de Janeiro. De acordo com nota da UFF os reitores reiteram também que tal Projeto de Lei constitui “um ataque não só à Uerj, mas a toda a comunidade acadêmica e científica do estado do Rio de Janeiro, que está mobilizada para a defesa da universidade pública, gratuita, referenciada socialmente e de excelência”.

Manifesto das instituições de ensino e pesquisa do Rio em defesa da Uerj:

Manifestamos nosso total e irrestrito apoio e solidariedade à Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) diante da publicação em diário oficial do Projeto de Lei nº 4.673/21 que propõe a extinção da Uerj e a transferência do seu patrimônio e alunos para a iniciativa privada. A Uerj ocupa um lugar de destaque na educação de jovens e na produção científica nacional, tendo sido pioneira na introdução do sistema de cotas entre as universidades brasileiras, o que contribuiu para a aceleração do processo de inclusão no ambiente universitário.

A proposta vem no contexto de uma guerra cultural contra as Universidades e a Ciência, constituindo-se em um ataque não só à Uerj, mas a toda comunidade acadêmica e científica do Estado do Rio de Janeiro, que está mobilizada para a defesa da Universidade pública, gratuita, referenciada socialmente e de excelência.

Estamos confiantes que a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro não chancelará tal iniciativa, cuja aprovação constituiria grave prejuízo para a educação, a ciência, a tecnologia, o desenvolvimento econômico e a inclusão social em nosso Estado e nosso País.

Antonio Claudio Lucas da Nóbrega (Reitor – UFF)

Denise Pires de Carvalho (Reitora – UFRJ)

Jefferson Manhães de Azevedo (Reitor – IFF)

Luanda Moraes (Reitora -UEZO)

Maurício Saldanha Motta (Diretor Geral – CEFET)

Oscar Halac (Reitor – Colégio Pedro II)

Rafael Barreto Almada (Reitor – IFRJ)

Raul Ernesto Lopez Palacio (Reitor – UENF)

Ricardo Lodi Ribeiro (Reitor – UERJ)

Ricardo Silva Cardoso (Reitor – UNIRIO)

Roberto de Souza Rodrigues (Reitor – UFRRJ)

O presidente da Alerj, André Ceciliano (PT), garantiu que a chance de ser colocado em votação na sua gestão é nula. “Enquanto eu for presidente, este é um debate que não vamos enfrentar”, afirmou na semana passada.

NOTA DA UERJ

“A proposta, tão inconstitucional quanto estapafúrdia, não merecerá apoio da esmagadora maioria da Alerj, que reconhece a importância da Universidade para a população fluminense e brasileira, para a educação, a ciência e a tecnologia de nosso país, constituindo-se no maior projeto de inclusão social e na maior agência de políticas públicas do nosso Estado. A iniciativa visa a excitar hordas radicais, com propósitos eleitorais, sem qualquer compromisso com a democracia, com o progresso da ciência, com a educação, mas, como revela a própria destinação proposta aos bens da Universidade, a interesses inconfessáveis. No entanto, os que querem a destruição da Uerj serão derrotados uma vez mais. Já estamos em articulação com o parlamento fluminense para que a proposta seja abortada. A Uerj não será extinta porque ela muda a vida das pessoas para sempre”, contou o reitor da Uerj Ricardo Lodi Ribeiro.

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