UFF protesta contra corte de energia

Wellington Serrano –

Cerca de 50 estudantes e professores da Universidade Federal Fluminense (UFF) realizaram um protesto na tarde desta terça-feira (19). Os manifestantes saíram da entrada do Campus do Gragoatá da UFF e caminharam até a Praça Leoni Ramos, em São Domingos, sede da Enel, em protesto contra o corte de energia aplicado pela concessionária. Segundo informações, um acordo entre a Universidade a Enel ficou definido que o Ministério da Educação (MEC) entraria com o pagamento de R$ 16 milhões para pagamento das dívidas. No entanto, apenas um terço do dinheiro teria sido repassado, cerca de R$ 6 milhões. O ministério, por sua vez, nega e afirma que há uma contradição no argumento apresentado de que faltam recursos para as despesas de custeio na universidade.

Segundo a vice-presidente Norte Fluminense da União Estadual dos Estudantes do Rio (UEE-RJ), Carolina Gaia, a manifestação é contra a crise financeira que a universidade enfrenta. “Existe um acordo de pagamento que a UFF vem cumprindo e ainda assim a empresa teria decidido pelo corte de energia, negando-se inclusive a religar e ameaçando a cortar a luz também do Hospital Antônio Pedro”, disse.

Para o estudante Danilo Bueno, de 19 anos, a paralisação afeta o ensino de toda região metropolitana do Rio de Janeiro e do interior. “A UFF tem nove polos, sendo a universidade mais interiorizada do país. Se não houver energia na reitoria é impossível abrir período novo, trancar matriculas, resolver ver bolsas e pendências”, lamentou o estudante.

O presidente da Comissão dos Consumidores da Câmara Municipal de Niterói, vereador Anderson Pipico (PT), disse que deu entrada de um ofício junto a Enel solicitando informações concretas sobre o imbróglio. “Essa é uma questão muito séria porque interfere na interrupção das aulas no final do ano letivo da universidade e estamos preocupados com a ameaça em deixar o Huap sem energia. O que vão fazer com os pacientes?”, indagou o presidente.

O superintendente do Hospital Antônio Pedro, Tarcísio Rivela, disse que a possibilidade do corte de energia no Huap é remota porque ajuizou uma ação na justiça. “Só teremos corte no hospital se acontecer através de um juiz. Acho que estamos numa país democrático e isso não vai acontecer. Acredito que iremos chegar a um acordo juridicamente”, explicou Rivela.

Segundo o reitor da UFF, Sidney Mello, os contratos de serviços terceirizados e contas de água, energia elétrica e telefonia têm sido reajustados acima da inflação, o que não ocorre com o orçamento destinado à Universidade, que teve em 2017 uma redução de R$ 18 milhões no valor repassado pelo MEC, em comparação com 2014. “A dívida que está em aberto com a Enel não é referente a 2017. O acordo judicial para o pagamento desta dívida está fora do orçamento. O débito de R$ 16,4 milhões é referente ao não pagamento das contas de energia entre junho de 2014 e dezembro de 2015, herdado pela atual gestão”, acusou.

Em resposta, o MEC afirmou que liberou todo o recurso disponível no orçamento de custeio para todas as universidades federais, incluindo a Universidade Federal Fluminense (UFF). O recurso de custeio deve ser usado para manutenção das instituições, como limpeza, vigilância, contas de água, luz e outras atividades essenciais para o bom funcionamento.

O ministério disse que a previsão da LOA para a UFF é de R$ 193 milhões, verba já destinada à instituição. “As universidades federais, no âmbito da autonomia administrativa e de gestão financeira e patrimonial que possuem, é que realizam a aplicação dos recursos, inclusive realizam os pagamentos. Desta forma, o ministério, após efetuar liberação, não possui qualquer ingerência sobre os processos de pagamento que estejam a cargo de suas unidades vinculadas. Qualquer falta de pagamento com o orçamento 100% liberado pode ser consequência de falha na gestão da instituição”, disse em comunicado.

O MEC ressaltou que, nesse contexto, foram empenhados R$ 188,5 milhões dos recursos destinados ao custeio. “Desse total de limite de empenho liberado para custeio, a universidade empenhou R$ 1,766 milhão em investimento. Dessa forma, há uma contradição no argumento apresentado de que faltam recursos para as despesas de custeio na universidade”, concluiu o órgão. Procurada, a Enel não se pronunciou sobre o assunto. Já o ex-reitor Roberto Salles, que foi acusado de repassar a dívida para a atual gestão, se defendeu ao dizer que a passeata foi armada pelo atual reitor.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *