UFF promete pagar terceirizados até o fim da semana

Raquel Morais –

A Universidade Federal Fluminense (UFF) divulgou uma nota confirmando o primeiro pagamento do salário dos vigilantes juntamente com os benefícios, como vale-alimentação. A nota diz ainda que ‘a UFF está providenciando um auxílio financeiro para encaminhar todos os salários até o fim desta semana’. Os cerca de 350 trabalhadores terceirizados estão com salário de um mês atrasado, além de não receberem o auxílio-alimentação há três meses. Pensando em ajudar esses trabalhadores, o curso de pedagogia da UFF marcou para amanhã, das 16h às 22h, uma festa julina beneficente para arrecadar fundos para esses funcionários.

Além dos vigias, os funcionários da limpeza e conservação também estão na mesma situação. Eles trabalham através da empresa terceirizada Croll, que não foi encontrada através de contatos telefônicos feitos pela reportagem de A TRIBUNA, para comentar o caso. O diretor jurídico do Sintacluns, Nézio Francisco, disse que vai aguardar o pagamento desse mês até o quinto dia útil.

“Também precisamos dos acertos dos benefícios que não foram pagos e já tem três meses em atraso. Estamos com as contas cheias de juros e tendo que tirar dinheiro do pagamento para poder comprar comida”, frisou.

A “Balbúrdia Julina” acontecerá no Bloco D do Campus Gragoatá, em São Domingos, e custará 1 quilo de alimento não-perecível. Segundo os organizadores, a festa foi construída coletivamente e contou com alimentos, dinheiro, decoração e barraquinhas doados por alunos para a realização. Não faltará forró, quadrilha, comidas típicas, correio do amor e ornamentação. O objetivo é diminuir a situação precária dos trabalhadores que cuidam da UFF. O uso da palavra “Balbúrdia” no nome do evento é para ironizar a fala do atual ministro da educação, Abraham Weintraub, que em uma entrevista sugeriu que o espaço da universidade pública não é um ambiente sério e comprometido com a educação e mudança social.

CONTENÇÃO
Na semana passada, em uma reunião com os membros do Conselho Universitário, o reitor da UFF, Antônio Cláudio da Nóbrega, confirmou que a universidade tem recursos próprios apenas para funcionar até agosto. No final de maio, ele informou que a instituição poderia parar em julho, devido ao contingenciamento de verbas do governo federal. Segundo o reitor, a UFF precisa de R$ 16,7 milhões mensais para arcar com as despesas de custeio, como água, luz, telefone, contratos com empresas terceirizadas, entre outras, mas, devido ao bloqueio, tem apenas R$ 6,85 milhões por mês. Ou seja, 46,5% do previsto no orçamento deste ano, de R$ 169 milhões, sendo R$ 14,1 milhões mensais. No começo do semestre, a UFF cortou despesas estimadas em R$ 35 milhões anuais para se adequar ao recurso disponível, como eliminação de todos os celulares institucionais, revisão de contratos, redução do transporte e enxugamento administrativo. Antes do bloqueio, a universidade já recebia financeiro menor do que o necessário, na ordem de R$ 9,8 milhões por mês, o que prejudicava os pagamentos e a prestação dos serviços, segundo o reitor.

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