UFF desenvolve projeto para evitar descarte inadequado de remédios

Raquel Morais –

A Faculdade de Biomedicina da Universidade Federal Fluminense (UFF) lançou o projeto ‘Descartuff’ para conscientizar as pessoas sobre a importância do descarte correto de medicamentos. Todos os remédios e alguns tipos de frascos não podem ser jogados fora no lixo doméstico e precisam passar pela incineração, feitas por empresas especializadas. Dados da Ecycle, responsável por esse tipo de serviço além de ser uma empresa de reciclagem, apontam que cerca de 20% de todos os medicamentos são descartados de forma irregular.

O projeto da UFF levou em consideração o aumento no número de farmácias. Dados do Conselho Federal de Farmácia apontam que, em 2018, o Brasil registrou 87.794 farmácias privadas e 11.251 drogarias públicas. Segundo a universidade, o número cresce a cada ano e, com ele, o consumo de medicamentos. Mas a discussão sobre o descarte adequado dessas substâncias não parece acompanhar o ritmo da sua produção e distribuição. Apesar de já ter sido constatado que o maior impacto ao meio ambiente é causado pelo descarte de consumidores e não pelo processo industrial de fabricação, o Brasil ainda não possui uma regulamentação sobre o recolhimento e o destino adequado de resíduos domiciliares.

A farmacêutica Teresa Leal, da farmácia Droganews, no Centro de Niterói, explicou que os medicamentos interferem no meio ambiente pois são substâncias químicas. “Nós temos contrato com uma empresa que retira os medicamentos vencidos e faz o descarte correto. Também ajudamos clientes que querem dar o destino certo para esse tipo de remédio. Nós juntamos com o nosso lixo e mandamos para a empresa. Temos que estar atentos para isso, a fim de evitar a contaminação do nosso lençol freático e nosso solo”, exemplificou. E os cuidados também englobam algumas embalagens, como por exemplo, bisnagas, blísteres e frascos precisam dessa mesma atenção na hora de jogar fora.

“Há diversas espécies que estão passando por um processo de seleção. Alguns peixes, por exemplo, estão mudando de comportamento sexual em razão da concentração de hormônio na água. Há o problema das bactérias multirresistentes, que vão se desenvolvendo em grande parte ao descarte incorreto de antibióticos”, frisou a coordenadora do projeto e professora de Bacteriologia e Educação Ambiental, Júlia Peixoto de Albuquerque.

De acordo com a empresa Ecycle, os remédios são produtos que de maneira nenhuma devem ser consumidos depois do prazo de validade e por isso as pessoas costumam jogá-los, com frequência, no lixo. Porém, no meio ambiente, essas substâncias têm efeitos pouco conhecidos e muito perigosos. Para consultar um ponto de coleta basta colocar o CEP da residência no site https://www.ecycle.com.br/index.php

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