UFF: Alunos de medicina querem retorno de aulas presenciais

Um impasse entre alunos do curso de medicina da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, e a direção está prejudicando os alunos do curso mais disputado da universidade. O Diretório Acadêmico da Faculdade de Medicina de Niterói afirma que os universitários querem voltar as aulas presenciais de algumas disciplinas, com todos os cuidados pertinentes que o momento pandêmico exige. Mas esse retorno depende da vontade dos professores, que segundo eles, não estão dispostos a voltar. O motivo seria a necessidade da reforma do laboratório de anatomia, que há mais de 10 anos amarga com problemas estruturais e insalubridade.

Os veteranos partem para o 4º período de ensino remoto, ainda sem planejamento oficial de retorno híbrido por parte da Universidade. Segundo os estudantes, eles estão há quase dois anos cursando medicina com aulas quase exclusivamente online, o que seria uma realidade absurda na formação médica. Foi divulgada uma Carta Aberta à Comunidade Acadêmica para denunciar o descaso do ensino.

Desde o início do ensino remoto, a UFF tem algumas disciplinas teóricas, práticas e híbridas (teórica e prática). Um dos problemas denunciados pelos alunos é em relação a matéria Trabalho de Campo Supervisionado (TCS), que é uma disciplina prática, e que foi adaptada para o primeiro período desde ano passado feita de maneira remota com reuniões e palestras, por exemplo. Essa matéria é programada para todos os períodos e quem cursou o segundo período teve que fazer o TCS mas não teve o fechamento das notas, já que teve uma parte prática que não foi substituída pela forma remota. Ou seja, os alunos do segundo período estão com pendência para a conclusão da disciplina.

O mesmo está acontecendo com as aulas que envolvem o laboratório de anatomia, que fica no Campus Valonguinho, onde as aulas práticas estão sendo remotas. “Tivemos acesso ao documento que os professores fizeram pedindo a reforma do laboratório anatômico e isso seria um impedimento para a volta das aulas práticas. Esse espaço está com problemas há mais de dez anos. As paredes têm rachaduras, não tem exaustor e também as peças anatômicas estão muito antigas. O ambiente é insalubre e isso é antigo, não é algo de agora ou algo por causa da pandemia. Queremos a obra e estamos felizes, mas fica uma sensação de estar vindo no momento que a gente queria uma melhoria do ensino”, contou Pedro Gomes, de 22 anos, estudante do quarto período e membro da direção do Diretório, que prevê o atraso na formação de pelo menos seis meses nas turmas que iniciaram no primeiro semestre de 2020.

Samuel Stoliar, 19 anos, também do Diretório, contou que a sensação dos alunos é de desorientação. “Estamos nos sentindo perdidos. Queremos saber se vamos ter professores para nos dar aulas, se vamos poder contar com disciplinas práticas que são fundamentais serem práticas e precisamos ter o diálogo claro sobre isso. É uma frustração. Queria estar vivenciando isso tudo. Eu vivi uma semana de êxtase eu andei pintado quando passei no vestibular e tive uma semana de acolhimento antes do início da pandemia. Estou com muita expectativa de voltar a aula e vivenciar tudo que sempre sonhei”, finalizou.

POSICIONAMENTO DA UFF

A UFF respondeu que as providências já estão sendo tomadas. O reitor se reuniu com os diretores da Faculdade de Medicina e do Instituto Biomédico, com a coordenação de curso e com a pró-reitora de graduação nessa semana. A UFF se manifestou através da nota: “Estamos construindo neste momento soluções para todas as dificuldades de fluxo do curso, tanto para as turmas que tiveram as suas vidas prejudicadas pela pandemia, bem como para as disciplinas entrantes, sempre respeitando o plano de contingência da UFF, mas com progressiva presença física na Universidade”.

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