Túnel fechado no Tibau impede renovação da água da Lagoa de Piratininga

Há 15 dias que as águas da Lagoa, na área do Tibau, ao lado da Prainha de Piratininga, não estão criando muito peixe. Segundo pescadores, moradores e comerciantes da região, um banco de areia se formou dentro de um túnel por onde passa a água do mar para a lagoa e esta passagem está em boa parte bloqueada, impedindo a renovação da água da lagoa. Devido a isso, a pesca caiu consideravelmente no local. O Conselho Comunitário da Região Oceânica de Niterói (CCRON) vai enviar ofício ao Instituto Estadual do Ambiente e à Secretaria Municipal de Meio Ambiente.
“Sem a renovação da água da lagoa, esta não será limpa e haverá novas mortandades de peixes. Se voltar a chover forte, a lagoa vai transbordar e inundar tudo no entorno. Há muitas casas na ciclovia e na região do Tibau. É preciso que ou a prefeitura ou o Estado tire o banco de areia. Os pescadores vão perder o seu meio de sustento”, alerta Gonzalo Perez, presidente do CCRON.
Segundo o comerciante Amilar Tibau, de 76 anos, há 50 morando e com um bar na localidade, é a primeira vez que o túnel fica com a passagem bloqueada. “Pouca água tem entrado. O banco de areia tem impedido. O número de pessoas vindo pescar aqui caiu muito. Antes, se pescava aqui 600 quilos de camarão por dia. Hoje, mal chega a um quilo”, lamenta Tibau.
O também comerciante Lucas Mello, 25, filho de pescador da lagoa, também sente o problema. “Antes vinham vários pescadores aqui e agora, não vem quase ninguém. De lá para cá o mau cheiro aumentou”, observa.
Procurada, a prefeitura informou que cabe ao Inea resolver o problema. Também procurado, o Inea não se manifestou até o fechamento desta edição.
Entre o final de dezembro e início de janeiro, houve mortandade na lagoa e a prefeitura recolheu mais de seis toneladas de peixes mortos, principalmente na altura do Tibau. Segundo o Inea explicou na época, o fato se deu pela ausência de oxigênio na água, provocada pela grande volume de esgoto que chegou até a lagoa, levado pela chuva. A prefeitura, que assumiu a gestão do sistema lagunar da Região Oceânica de forma compartilhada em 2016, informou na ocasião que os estudos para monitoramento do ecossistema estão em andamento e dentro do cronograma, com previsão de conclusão para novembro.
Um estudo feito pelo Subcomitê do Sistema Lagunar de Itaipu/Piratininga (Clip), apresentado em 2016, apontou que, desde 1979, foram gastos cerca de R$ 20 milhões em obras malsucedidas, como a abertura, em 2008, do túnel do Tibau (R$ 11 milhões) e o início do desassoreamento dos canais do Tibau e Camboatá, todas executadas pelo Estado.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *