Túnel Charitas-Cafubá: menos tempo, mesmos gargalos

Raquel Morais –

Um minuto e trinta e oito segundos. Esse foi o tempo médio que os motoristas levaram para atravessar o Túnel Charitas-Cafubá nesta segunda-feira (08), no primeiro dia útil de utilização. A rapidez na travessia Região Oceânica-Zona Sul deixou niteroienses eufóricos. Mas tinha gente insatisfeita com as mudanças e ainda quem questione a mobilidade urbana de Niterói, como em São Francisco e Charitas, por exemplo. O grande gargalo da cidade, a Avenida Roberto Silveira, continuou recebendo uma enxurrada de motoristas, que sentiram no relógio os problemas no trânsito.

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Por volta das 9h a travessia das duas galerias estava completamente livre. Porém, quem seguia para o Centro, através de São Francisco, bastava dobrar a primeira curva após o túnel para descobrir o congestionamento. Ao longo da Rua Prefeito Silvio Picanço e Avenida Quintino Bocaiúva os motoristas estavam impacientes com a demora na fluidez do tráfego. O trânsito lento chegou até o Túnel Raul Veiga, que liga São Francisco à Icaraí, na Avenida Roberto Silveira.

Quem seguia para o Centro de Niterói ou Zona Norte (Ponto Cem Réis ou Barreto) encontrou a mesma dificuldade de todos os dias, por conta, principalmente, do gargalo na junção da Avenida Roberto Silveira com a Rua Paulo César, no desvio para a Rua Miguel de Frias, em, Icaraí. “Esse problema é antigo e não será solucionado com a abertura do túnel. Essa é uma outra questão que deve ser levada em conta quando o assunto é mobilidade urbana”, comentou um motorista que não quis se identificar.

Ainda em São Francisco, a proibição do estacionamento ao longo da via principal não agradou quem precisava parar na rua. Alguns motoristas ignoraram as placas de proibição e arriscaram a parada. “Eu estava habituado a estacionar meu carro perto das barcas e atravessar para o Rio de Janeiro. Agora, apesar de chegar bem mais rápido em Charitas, tive um gasto a mais com estacionamento particular. Não vejo a hora da garagem subterrânea começar a funcionar”, apontou o assistente administrativo Thiago Moreira, 27 anos. A garagem subterrânea, que deveria ter sido inaugurada antes do túnel, teve sua abertura adiada para a segunda quinzena deste mês por causa da demora na instalação dos elevadores. Mesmo assim, há quem reclame da distância da garagem à estação dos catamarãs.

“Depois que estiver pronta [a garagem] terei que andar muito embaixo de sol e chuva para pegar o catamarã. Será que não tinha um local mais próximo para isso? E mais, será que a quantidade de vagas será suficiente para a quantidade de carros? Por enquanto não sabemos porque a garagem não foi aberta”, disse o engenheiro Paulo de Assis, de 44 anos.

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A Prefeitura reconhece que o túnel não resolverá os gargalos no trânsito. Em nota, disse que “apesar de ter resultados positivos no trânsito ao desafogar pontos tradicionalmente críticos como o Largo da Batalha e a Avenida Presidente Roosevelt, a abertura do túnel Charitas-Cafubá encurta distâncias mas ainda não resolve o problema do grande fluxo de veículos em direção ao Centro de Niterói e à Ponte. Neste sentido, a aposta da Prefeitura de Niterói está em qualificar o transporte coletivo, com ações como a implantação do BHS, que se dará com a inauguração total da TransOceânica no primeiro trimestre de 2018”.

Ressaltou ainda que a operação da NitTrans no primeiro dia útil de funcionamento do túnel contou com 33 agentes em pontos estratégicos da Região Oceânica e da Zona Sul. Após avaliar o impacto da nova alternativa viária no fluxo de veículos, os técnicos estão fazendo ajustes para melhorar a fluidez do trânsito na orla de Charitas e São Francisco.

VELOCIDADE MÁXIMA
No último final de semana foi publicado no Diário Oficial uma regulamentação sobre a velocidade máxima das duas galerias do Túnel Charitas-Cafubá. Nos dois espaços foram instaladas, desde a inauguração no sábado, placas informativas com velocidades de 40km/h e 60km/h. Na publicação oficial ficou decidido, através de uma portaria da Niterói Transporte e Trânsito (NitTrans), que ônibus e caminhões devem trafegar em velocidade máxima de 60km/h; automóveis leves 80km/h e bicicletas 20km/h. A normativa não descarta também a implantação de radares para controle das velocidades nas galerias.

TRANSNITERÓI
Questionada sobre as obras da TransNiterói, a Prefeitura de Niterói não se manifestou até o fechamento dessa edição. Porém, o projeto inicial dividia a TransOceânica na altura do trevo do DPO do Cafubá, na Estrada Francisco da Cruz Nunes. O motorista que optar pelo túnel teria que dobrar a esquerda do trevo, e para acessar a TransNiterói, bastaria seguir pela direita, pela própria estrada, sentido Serrinha. A via passará por regiões como Cantagalo, Monan Grande e Largo da Batalha. Nesse último seria construído um viaduto seguido de um túnel, que teria saída na Rua Noronha Torrezão, também com três faixas de rolamento. A passagem seria pelo Ponto Cem Réis chegando à Praça Renascença. Essa rota beneficiaria a população que sai da Região Oceânica em direção à Ponte Rio-Niterói e à Zona Norte e que não precisaria passar pela congestionada Zona Sul.

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