Tributos em cima de bebidas chegam a quase 80%

Raquel Morais

Nem só de confete e serpentina se faz o carnaval. Comerciantes do segmento das bebidas, fantasiais e do setor hoteleiro estão comemorando a proximidade da data. Mas tem folião que está assustado com o preço de um dos itens mais consumidos durante o carnaval: as bebidas. Levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) aponta que 50% do valor das bebidas e outros itens para o carnaval são de impostos. Caipirinha, chope, lata de cerveja e refrigerante e a garrafa de água são os itens com maior valor de repasse de tributos.

A famosa cachaça com limão reúne 76,66% de tributos, o chope 62,20%; a lata de cerveja com 55,60%; de refrigerante com 46,47% e a água mineral com 37,44%. Já a garrafa de refrigerante tem 44,55% de tributos, a água de coco com 34,13% e a cerveja de garrafa mantém a porcentagem de 55,60%.

“Tenho três filhos adultos e passamos o carnaval juntos. É impossível uma família de cinco membros, juntando eu e meu marido, curtir esses dias com tranquilidade e consumindo normalmente em qualquer lugar. Por isso somos adeptos do isopor, compramos as bebidas com antecedência e levamos para a praia, para o churrasco na casa de algum amigo e até mesmo para blocos de carnaval”, exemplificou a professora aposentada Maria Célia Alves, de 63 anos.

O vendedor do Geladão do Rocha, no bairro de São Gonçalo, Eduardo Dias, disse que o movimento no depósito de bebidas aumentou cerca de 20% com a proximidade do carnaval. “As pessoas querem economizar. Compram um pouco de tudo e estocam em casa para curtir o carnaval sem precisar gastar dinheiro extra”, explicou.

No estabelecimento a lata da cerveja de 473 ml custa R$ 3,50 e a menor, de 350ml, sai a R$ 2,50. “Em um bar a lata de cerveja custa em média R$ 6 e comprando no depósito eu economizo R$ 3,50”, ressaltou Maria Célia. A niteroiense explicou que a sua família consome em média 20 latas de cerveja por dia, o que totaliza R$ 200 pelos quatro dias de folia. Se eles fossem consumir em um bar gastariam R$ 480.

Os impostos também são expressivos em itens como fantasia em tecido, máscara de plástico, apito, colar havaiano e spray de espuma, onde os tributos significam 36,41%; 43,93%; 34,48%; 45,96% e 45,94%, respectivamente. O presidente-executivo do IBPT, João Eloi Olenike, assegura que a população brasileira não tem a exata consciência das altas taxas de tributos embutidos nesses produtos. Segundo ele, os legisladores justificam a elevada carga tributária sobre os produtos carnavalescos e de viagens por serem considerados bens supérfluos.

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