Transoceânica: solução para uns, pesadelo para outros

A Transoceânica é uma daquelas obras que no papel diz que vai facilitar a vida dos niteroienses, mas na prática tem frustrado alguns moradores do Cafubá e preocupado – bastante – comerciantes do entorno da rótula do bairro. Isso porque, depois das obras, houve mudanças no trânsito local, o que fez o movimento cair drasticamente, levando alguns comerciantes a amargar prejuízos de 70%. Além disso, a praça passou a ficar deserta, já que os estacionamentos foram removidos do entorno.

Há quatro anos o Mercado Mix se instalou na rótula do Cafubá e, desde o início das obras da TransOceânica, no ano passado, já demitiu 15 funcionários e a tendência, segundo um dos sócios, é diminuir ainda mais a folha de pagamento. “Em todos estes anos é o pior momento que passamos aqui. É uma queda nas vendas, fácil, na casa dos 60%. Se continuarmos assim podemos até fechar a porta. Está muito difícil pagar as contas. Hoje temos 28 funcionários, mas se continuar nesta queda a previsão é de mais pessoas demitidas”, desabafou o sócio do mercado, José Esteves, de 78 anos.

De acordo com os moradores e comerciantes, o motivo desta queda aconteceu depois das obras da Transoceânica, que retirou a possibilidade de se fazer o retorno (de automóvel) na praça, deixando assim de ser uma rótula. Além disso, os moradores relatam que a praça passou a ficar deserta, uma vez que foi tirada também parte de estacionamento.

“Há anos tenho este comércio de gelo e água aqui na rótula. Com as obras minhas vendas caíram setenta por cento. Eu levanto as portas por esperança, mas ninguém mais passa por aqui, nem os ônibus. Se continuar assim, infelizmente vou ter que entregar o ponto”, comentou o comerciante Gilson Nobrega, de 62 anos.

No início de fevereiro, moradores contaram que se reuniram com representantes da Emusa (Empresa Municipal de Urbanização, Saneamento e Moradia), que prometeram mudanças dias após do encontro. Mas passados mais de 60 dias nada mudou.

“Durante a reunião mostramos nossas reclamações e os problemas. O engenheiro prometeu que retornaria com o estacionamento na praça e que um projeto de reabertura da rótula seria apresentado em 10 dias. Mas já estamos no final de março, nenhum projeto foi apresentado, as obras já estão quase concluídas e a parte do estacionamento já começa a receber grama”, contou Antenor Santos da Silva, de 60 anos, morador há quase 30 anos do Cafubá.

A Prefeitura de Niterói informou que a rótula do Cafubá continua existindo e, com as obras e mudanças necessárias para o funcionamento da TransOceânica, terá função de rótula interna, destinada ao fluxo de moradores e pessoas que precisam acessar a Avenida 6. O retorno que era feito nesta rótula passou a ser realizado um pouco mais à frente, em uma outra rótula, que assumiu esta demanda externa e de maior fluxo de veículos, antes da Igreja de São José.

A rótula do Cafubá também receberá uma estação de ônibus BHS e, com a sua abertura, o fluxo de pessoas circulando no local vai aumentar na região, garante a Prefeitura.

De acordo com a Emusa, está sendo estudada a possibilidade do retorno do estacionamento na rótula. O retorno solicitado pelos moradores na Avenida 3 foi descartado por questões de segurança. No entanto, a área não ficou sem estacionamento. Os motoristas continuam podendo parar nos estacionamentos dos estabelecimentos e em ruas próximas, como a Doutor Waldir Costa.

Um comentário em “Transoceânica: solução para uns, pesadelo para outros

  • 4 de abril de 2017 em 22:24
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    Sugiro o título “Transoceânica, solução para muito poucos, problema para muitos”. Tal sugestão baseia -se no fato de que não se conversa com alguém que considere a obra, como está sendo conduzida, como útil ou necessária, à exceção do túnel que irá escoar grande parte do trânsito do Cantagalo.

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