Tráfico manda fechar comércio em “luto forçado” no Mutuá

Augusto Aguia

Comerciantes e balconistas de lojas levaram um susto nesta quinta-feira (3) quando chegavam para trabalhar o bairro do Mutuá, em São Gonçalo. Criminosos ordenaram que as lojas não poderiam abrir as portas. A ordem teria partido da liderança do tráfico de uma comunidade próxima, conhecida como “Couro Come”, no chamado Complexo do Mutuapira.

O “luto forçado” teria sido ordenado em decorrência de um confronto, ocorrido no fim da manhã de quarta-feira, no qual policiais militares e criminosos se enfrentaram a tiros, na Rua Paulo Damázio, esquina com a Estrada da Covanca. Na ocasião, um homem identificado como Marcelo Fontenele dos Santos, de 24 anos, morreu atingido por um tiro, e um adolescente, de 13 anos, foi ferido e internado (tiro no tórax) no Hospital Estadual Alberto Torres (Heat), no Colubandê. O registro da ocorrência foi feito na 73ª DP (Neves). De acordo com a polícia Marcelo não teria anotações criminais anteriores.

Moradores e estudantes, que seguiam para o trabalho ou escola, também foram surpreendidos e prejudicados com a ordem dos criminosos. Usuários de linhas de ônibus, como a 404 (Trindade/Niterói), via Mutuá, e 516M (Mutuapira-Niterói) tiveram que apelar para caronas ou caminharam por grandes distâncias até a via principal, a Avenida Paula Lemos, junto a Praça do Mutuá, para embarcar num coletivo. Segundo comentários, as empresas evitaram de fazer o trajeto passando pelas imediações das comunidades que compõem o Complexo do Mutuapira.

“Eu não sei ao certo o que aconteceu, mas eu esperava que as lojas e o mercado abrissem para comprar alguma coisa pra minha casa. Tá tudo fechado e não sabem se vão abrir. Tá difícil conviver com isso”, afirmou uma moradora da Avenida Paula Lemos. Moradores e até os motoristas que passaram pela via, na manhã de ontem, não entenderam nada quando o posto de combustíveis não estava aberto por volta das 9h30min, o mesmo acontecendo com a farmácia do bairro, o hortifruti, lojas de roupas e de armarinho, e um supermercado, entre outros estabelecimentos. Na Estrada da Covanca, uma das principais vias de acesso ao Mutuapira, o movimento de veículos também foi reduzido durante boa parte da manhã.

Policiais militares do 7º Batalhão foram vistos passando pelas imediações da Estrada da Covanca e acessos ao Mutuapíra, mas não foram vistos realizando alguma incursão na localidade onde ocorreu o confronto na manhã de quarta-feira (2).

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